'Sabores no Museu' Etnográfico revelam Sopa de Couve
Nova oficina do ciclo gastronómico-cultural promovido em parceria com a Associação Atremar a Ilha realiza-se esta quarta-feira
O Museu Etnográfico da Madeira, espaço tutelado pela Secretaria Regional de Turismo, Ambiente e Cultura, recebe, na próxima quarta-feira, dia 21 de Outubro, pelas 11h30, mais uma oficina do ciclo gastronómico-cultural 'Sabores no Museu'. Promovido pelo Museu Etnográfico da Madeira, em parceria com a Associação Atremar a Ilha, o projecto alia a experiência gastronómica à exploração museológica da cultura popular.
A nova oficina será dedicada à tradicional Sopa de Couve, numa sessão conduzida, uma vez mais, por Sandra Cardoso, conhecida como A Biqueira.
"Durante gerações, as populações rurais do arquipélago souberam retirar da terra o seu sustento diário. A sopa de couve é uma das receitas mais representativas dessa herança, um prato composto por couve, semilha (batata), batata-doce, feijão e carne de porco salgada, que garantia a energia necessária para o trabalho agrícola rigoroso", refere a tutela em comunciado.
A sessão vai abordar também a riqueza e as especificidades locais deste prato à volta da ilha. Como destaca Sandra Cardoso: "O trabalho de recolha de receitas que tenho vindo a fazer, por todo o arquipélago, tem mostrado que a nossa gastronomia popular é profundamente viva e cheia de variantes".
"No Porto Santo, por exemplo, a senhora Maria José de Vasconcelos ensinou-me que, embora a cozedura seja a mesma, ali retiram-se os ingredientes sólidos para uma travessa: o caldo come-se primeiro com pedaços de pão, quase como uma entrada, servindo-se depois as carnes e os legumes como prato principal. Já na Santa, no Porto Moniz, a Madalena Furriel deu-me a conhecer outra raridade: ali, a tradição pede que se coza um pão dentro da própria panela de sopa", acrescenta.
Esta diversidade demonstra como uma única receita tradicional se molda ao isolamento, ao clima e aos recursos de cada localidade, tornando esta e outras receitas, verdadeiros testemunhos do nosso património imaterial, a memória viva do povo madeirense.
O secretário regional de Turismo, Ambiente e Cultura, Eduardo Jesus, refere que “a gastronomia tradicional é uma parte importante da identidade cultural madeirense, porque guarda memórias, saberes e formas de viver que passaram de geração em geração”.
Nesse sentido, acrescenta, “iniciativas como os ‘Sabores no Museu’ permitem preservar esse património e dar-lhe continuidade, aproximando diferentes públicos das nossas tradições e valorizando o conhecimento de quem as mantém vivas. Ao revelar as particularidades de uma receita como a sopa de couve, estamos também a descobrir a história das nossas comunidades e a diversidade cultural que caracteriza a Madeira e o Porto Santo.”
As oficinas destinam-se a visitantes de todas as idades. O próximo encontro, marcado para esta quarta-feira, conta com lotação limitada a 50 participantes. As inscrições devem ser feitas previamente através do email [email protected] ou do telefone 291 145 326.
O ciclo conta com o apoio da Secretaria Regional de Economia, Turismo e Cultura, reforçando a valorização da cultura tradicional e a preservação do património gastronómico insular.