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Chega quer escola de pilotos em Tancos como ponto de partida para polo aeronáutico

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A vereadora do Chega na Câmara de Vila Nova da Barquinha defendeu que a escola de pilotos em Tancos deve constituir o ponto de partida para um polo aeronáutico regional, posição apoiada pelos deputados do partido eleitos por Santarém.

"Uma escola de pilotos não deve ser encarada como um projeto isolado, mas como o possível ponto de partida para um polo de desenvolvimento aeronáutico", afirma Tatiana Horta, cabeça de lista do Chega nas últimas eleições autárquicas, citada em comunicado.

A posição surge na sequência do anúncio feito pelo Governo, na quarta-feira, de um investimento de 500 milhões de euros (ME) da Lufthansa numa escola de pilotos em Tancos, no concelho de Vila Nova da Barquinha, distrito de Santarém, no âmbito da privatização parcial da TAP.

Para a vereadora, o projeto representa uma oportunidade de revitalização económica, criação de emprego qualificado, atração de investimento e fixação de população, num concelho que sofreu os efeitos da reorganização e redução da presença militar.

Tatiana Horta considera que a formação técnica especializada, a manutenção de aeronaves, a investigação e a inovação tecnológica, em cooperação com instituições de ensino, empresas e estruturas militares, são áreas com potencial para desenvolver na região.

A autarca destaca ainda a localização central de Tancos, as acessibilidades rodoviárias e ferroviárias e a proximidade ao Campo Militar de Santa Margarida e ao nó ferroviário do Entroncamento como fatores favoráveis à criação de novas sinergias económicas e logísticas.

Adverte, no entanto, que estas oportunidades "não estão garantidas" e exigem planeamento, viabilidade económica, articulação institucional e uma estratégia que envolva os municípios vizinhos e outras regiões do país.

"O objetivo deve ser transformar uma oportunidade concreta numa estratégia de desenvolvimento duradoura para o Médio Tejo", sustenta, considerando que a recuperação da vocação aeronáutica da antiga Base Aérea n.º 3 permitirá também valorizar o seu legado histórico.

A posição da vereadora, eleita por um partido que conquistou dois dos cinco lugares no executivo municipal e se encontra na oposição, é acompanhada pelos três deputados do Chega eleitos pelo círculo de Santarém.

"Foi com enorme satisfação e expectativa que recebemos a notícia da decisão do Governo em escolher Tancos para a instalação de uma escola de pilotos", afirma o deputado José Dotti, presidente da Distrital de Santarém do partido.

Segundo José Dotti, o projeto constitui "uma oportunidade única de desenvolvimento para o concelho da Barquinha", com potencial para criar emprego e dinamizar a economia local.

O investimento mereceu o apoio da Comunidade Intermunicipal (CIM) do Médio Tejo e do PSD de Santarém. O presidente da CIM da Lezíria do Tejo, João Leite, também manifestou satisfação com a escolha de Tancos.

O presidente da CIM do Médio Tejo, Manuel Jorge Valamatos, defendeu que a utilização civil de Tancos deve ir além da escola de pilotos, permitindo atrair outras atividades aeronáuticas, enquanto o PSD distrital salientou que defende a valorização estratégica da infraestrutura desde 2018.

Em sentido contrário, a CIM do Baixo Alentejo contestou a escolha de Tancos, defendendo que o investimento deveria ter sido direcionado para o Aeroporto de Beja, que considera reunir condições para acolher o projeto.

Também o deputado do Chega eleito por Beja, António Carneiro, questionou a decisão e anunciou que vai exigir ao Governo os critérios técnicos que justificaram a escolha de Tancos em detrimento da infraestrutura alentejana.

O projeto anunciado pelo Governo prevê cerca de 200 postos de trabalho e a adaptação do aeródromo militar de Tancos para utilização civil e militar, incluindo uma contribuição pública de 50 ME para a requalificação da pista, sem comprometer a atividade operacional do Exército.