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500 mil palestinianos vão ficar sem ajuda por falta de recursos do PAM

Foto MOHAMMED SABER/EPA
Foto MOHAMMED SABER/EPA

O Programa Alimentar Mundial (PAM) anunciou hoje que vai precisar de reduzir as suas operações humanitárias na Faixa de Gaza por falta de recursos, deixando mensalmente 500 mil palestinianos sem ajuda.

A organização fez ainda um apelo, através de um comunicado, para que o mundo não "desvie o olhar" do enclave devastado pela guerra.

"As famílias (...) vivem em condições humanitárias extremamente difíceis", apesar da entrada em vigor de um cessar-fogo há um ano, declarou à agência de notícias AFP Shaun Hughes, diretor do PAM nos territórios palestinianos.

A ofensiva israelita no enclave palestiniano teve início após o ataque do grupo islamista palestiniano Hamas contra Israel, em 07 de outubro de 2023.

Cerca de 1,4 milhões de pessoas, de um total de 2,1 milhões de habitantes, "encontram-se ainda numa situação de insegurança alimentar aguda e necessitam de ajuda humanitária para sobreviver", afirmou Hughes, falando a partir dos escritórios da agência da ONU em Beit Hanina, um bairro de Jerusalém Oriental.

Em agosto de 2025, a Classificação Integrada da Fase de Segurança Alimentar (IPC, na sigla em inglês) --- um mecanismo de avaliação da ONU - declarou o estado de fome em Gaza. Israel, por sua vez, classificou esta afirmação como "mentira".

Em dezembro, as Nações Unidas anunciaram que o território já não era considerado como estando em situação de fome, graças ao cessar-fogo estabelecido dois meses antes e ao aumento no fluxo de ajuda humanitária.

Desde então, o PAM tem prestado, a cada mês, "ajuda a cerca de 1,6 milhões de pessoas sob a forma de cabazes alimentares, farinha de trigo, pão, refeições quentes, apoio nutricional, lanches escolares e assistência em dinheiro", detalhou a organização num comunicado.

No entanto, a falta de financiamento impede, agora, a manutenção deste "nível de apoio".

O PAM afirma estar "forçado" a reduzir a sua ajuda alimentar em "cerca de um terço", lamentando que "meio milhão de pessoas percam o acesso a uma ajuda essencial".

"Estas são as escolhas que precisamos de fazer para garantir que os nossos recursos beneficiam as pessoas mais vulneráveis e durem o maior tempo possível", explicou Hughes.

A partir de agora, 1,1 milhões de palestinianos , entre os mais vulneráveis, receberão ajuda alimentar e financeira mensalmente, em comparação com 1,6 milhões anteriormente.

Além desta redução do número de beneficiários, o PAM informou que também necessitará de reduzir para metade as rações distribuídas.

As transferências em dinheiro, destinadas a permitir aos residentes comprar alimentos no comércio local, também foram reduzidas.

Para 2026, a agência referiu ter recebido menos de metade do financiamento destinado às suas operações nos territórios palestinianos em comparação com os anos anteriores e estimou necessitar de "450 milhões de dólares" [cerca de 400 milhões de euros] para manter as suas atividades em Gaza e na Cisjordânia ocupada durante os próximos seis meses.

No início de setembro, a agência já tinha reduzido para metade o número de beneficiários da sua assistência na Cisjordânia --- território ocupado por Israel desde 1967 ---, passando de 400 mil para 200 mil pessoas.

O PAM alertou ainda para o momento em que ocorrem estes cortes, que "acontecem na véspera do inverno, numa altura em que as modestas melhorias observadas recentemente na segurança alimentar continuam frágeis".