Trump abre porta a saída de nova porta-voz da Casa Branca
O Presidente norte-americano, Donald Trump, admitiu hoje que a sua nova porta-voz, Katie Zacharia, deveria "reconsiderar" a permanência no cargo, após o seu percurso profissional e desempenho serem questionados.
"Eu disse-lhe: 'Katie, será que este cargo é para ti?' (...) Eu disse-lhe: 'Honestamente, se estivesse no seu lugar, reconsideraria' (a situação)", afirmou Trump à imprensa na Casa Branca.
"Eu disse à Katie que, na minha opinião, ela foi tratada de forma muito injusta", foi "massacrada pelos media", ressalvou.
O Presidente disse que tomaria uma decisão definitiva talvez após as suas deslocações de campanha para as eleições intercalares de novembro, acrescentando: "Quando regressar, falaremos".
Comentadora ligada à base de apoio de Trump, Zacharia era assessora de comunicação na empresa que gere a Truth Social, plataforma detida pela família Trump e que o Presidente privilegia nos seus anúncios.
Entre fevereiro e abril deste ano, foi porta-voz do Departamento de Segurança Interna. Depois, enquanto comentadora, apresentava-se como advogada, apesar de, segundo revelaram investigações na imprensa norte-americana, nunca ter passado o exame de acesso à ordem de advogados, obrigatório para exercício da profissão.
Zacharia foi comentadora na Fox News e Newsmax, órgãos de referência da direita norte-americana.
Sob pressão, Zacharia deu na quinta-feira uma entrevista ao órgão conservador "Human Events", justificando que, quando se preparava para o exame da Ordem na Califórnia, preparava uma mudança para a China, onde trabalhava o marido --- com quem mantinha uma relação à distância há pelo menos um ano.
Acrescentou que o resultado do exame da Ordem --- no qual não foi aprovada --- era "de certa forma irrelevante", uma vez que não teria de ser uma advogada habilitada enquanto vivesse na China.
Zacharia afirmou que consultou vários especialistas jurídicos para garantir que o título era adequado quando fazia análises sobre questões jurídicas.
"É lamentável que as pessoas classifiquem isto como algum tipo de conspiração ou queiram rotular-me de uma forma específica. A verdade é que fui muito cuidadosa na forma como conduzi isto, e em momento algum dei a entender que era advogada", referiu.
Sobre a sua primeira conferência de imprensa, na terça-feira, curta e em que surgiu hesitante, Zacharia justificou que não teve tempo para se preparar devidamente e que a intenção foi sempre ser breve, uma vez que Trump responderia a perguntas dos jornalistas nessa mesma manhã.
"O meu objetivo era, sem dúvida, ser breve, considerando que ele (Trump) é o seu próprio melhor porta-voz e que adora --- e adora mesmo --- falar informalmente com a imprensa a caminho do 'Marine One'", o helicóptero presidencial, disse Zacharia.
"Por isso, quis demonstrar o devido respeito e não invadir o seu tempo", referiu.
Natural do estado da Califórnia, Zacharia sucedeu a Karoline Leavitt, que deixou o governo para passar mais tempo com a família.