RG3 preparado para missões internacionais e para socorrer a população
Paulo Barreto destaca as capacidades operacionais da unidade militar, o destacamento na Roménia e o papel histórico dos militares na democracia e na autonomia da Madeira
O Representante da República para a Madeira, juiz desembargador Paulo Barreto, destacou esta manhã o papel do Regimento de Guarnição n.º 3 (RG3) na defesa da democracia, na participação em missões internacionais e no apoio à população em situações de calamidade, durante as comemorações do 33.º aniversário da unidade, no Funchal.
Na sua intervenção, percorreu a história militar madeirense, evocando o antigo Batalhão de Infantaria n.º 19 (B19) e os jovens que, oriundos de zonas rurais isoladas, foram mobilizados para a guerra colonial. Sublinhou que alguns militares, influenciados pelo contacto com oficiais mais conscientes da realidade política e dos seus direitos, contribuíram para a restituição da democracia.
“Foi desta casa, e de muitas outras unidades semelhantes, que saíram os jovens que fizeram o 25 de Abril, génese do regime autonómico”, afirmou.
Paulo Barreto recordou também a inspecção militar que realizou em 1981, salientando o papel do serviço militar na formação de gerações de madeirenses. Independentemente da origem social, “todos usavam a mesma farda” e eram “tratados como iguais. Como portugueses”, disse, destacando valores como a camaradagem, a disciplina, a honra, a lealdade e o patriotismo.
Drones e missões internacionais
Sobre o actual RG3, o Representante da República realçou as capacidades operacionais que testemunhou numa visita recente, nomeadamente técnicas de resgate de reféns, utilização de drones, engenharia militar e instalação rápida de estruturas logísticas de apoio.
Destacou ainda a formação nacional e internacional dos militares, as relações com unidades das Canárias e a participação em exercícios no estrangeiro, incluindo em Saragoça. O regimento tem uma subunidade projectada na Roménia e capacidade para integrar missões da NATO, da União Europeia e das Nações Unidas.
Paulo Barreto recordou igualmente o envolvimento de militares madeirenses em operações na Bósnia, no Kosovo, no Iraque, no Afeganistão, em Timor-Leste e em Moçambique.
Unidade como “porto de abrigo”
O responsável salientou que os meios do RG3 estão também ao serviço das autoridades civis, classificando a unidade como um “porto de abrigo” em situações de emergência.
Entre os exemplos apontados estão a aluvião de 20 de Fevereiro de 2010, que levou ao acolhimento de 236 pessoas, os incêndios de 2012 e 2016, com 114 e quase 300 pessoas acolhidas, respectivamente, e a pandemia de covid-19, durante a qual foram disponibilizadas 42 camas.
Referiu ainda a colaboração no apoio a mais de 30 doentes na sequência do incêndio do Hospital do Divino Espírito Santo, em Ponta Delgada.
“A história honra esta casa e têm sido exemplarmente cumpridos todos os vossos deveres com o País e, em particular, com a Madeira e as suas gentes”, concluiu.
Única unidade militar da Zona Militar da Madeira, o RG3 é um regimento misto de Infantaria e Artilharia, distinguido há dez anos pelo Presidente da República com o título de Membro Honorário da Ordem do Mérito.