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Madeira

O que fazer ao lixo electrónico?

14 de Outubro é o Dia Internacional dos Resíduos Eléctricos

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Assinala-se hoje, 14 de Outubro, o Dia Internacional dos Resíduos de Equipamentos Eléctricos e Electrónicos (REEE), este ano com foco para a tecnologia ‘fast tech’. A ZERO aponta “20 anos de boicotes e ilegalidades”, desde a entrada em funcionamento do Sistema de Gestão dos REEE; ao passo que a DECO PROteste recorda que estes resíduos exigem cuidados específicos.

Escolas da Madeira recolheram mais de 21 toneladas de resíduos eléctricos e electrónicos

Escola Básica e Secundária Doutor Luís Maurílio da Silva Dantas, em Câmara de Lobos, alcançou o melhor resultado regional

Carolina Rodrigues , 13 Outubro 2026 - 11:32

Um estudo divulgado pelo Electrão, sobre comportamentos relacionados com a tecnologia de baixo custo e consumo rápido, realizado em 12 países europeus, revela que em Portugal um em cada seis compradores inquiridos (17,8%) já colocou pequenos equipamentos eléctricos deste tipo no lixo comum ou em contentores inadequados.

Este estudo promovido pelo WEEE Forum, a associação internacional de entidades gestoras de resíduos elétricos, põe em evidência o destino de carregadores, cabos, auriculares, luzes LED e outros pequenos aparelhos do quotidiano que são muitas vezes adquiridos a baixo custo para satisfazer uma necessidade pontual ou assegurar um equipamento de reserva.

Em Portugal, oito em cada dez inquiridos (82,5% dos 503 participantes) compraram, pelo menos, um destes produtos no espaço de um ano (entre Agosto de 2025 e Julho de 2026). Entre quem já comprou estes equipamentos, um terço (33,6%) referiu ter guardado aparelhos que deixou de utilizar.

As papeleiras de rua e o ecoponto amarelo são indicados por 29,8% dos compradores como destinos inadequados onde já colocaram estes pequenos equipamentos elétricos. 41,9% dos inquiridos referem ter entregado estas tipologias de equipamentos num local de recolha ou instalação municipal (ecocentros).

Em alguns casos, os comportamentos coexistem. Ou seja, há quem guarde em casa alguns equipamentos fora de uso, entregue outros para reciclagem em locais oficiais e descarte incorretamente outros aparelhos.

REEE exigem cuidados específicos

Segundo o Global E-waste Monitor 2024, da UNITAR e da União Internacional das Telecomunicações, foram geradas 62 milhões de toneladas de resíduos eléctricos e electrónicos em 2022. Apenas 22,3% tiveram recolha e reciclagem formalmente documentadas.

Estes aparelhos, mesmo que de pequena dimensão, devem ser encaminhados para a reciclagem para que os seus materiais possam ser recuperados e os componentes tenham tratamento adequado, que inclui a gestão de substâncias perigosas, de modo a proteger o meio ambiente e a saúde humana. Cabos, carregadores e pequenos aparelhos elétricos também precisam de recolha separada.

No caso dos equipamentos que contêm baterias de iões de lítio, há um risco de segurança. O WEEE Forum alerta que, quando estes aparelhos são descartados indevidamente, as baterias podem ser esmagadas ou perfuradas e provocar incêndios. Assim, o Electrão apela aos consumidores que verifiquem quais os equipamentos que ainda podem utilizar, reparar ou doar, e entreguem o que chegaram ao fim de vida nos pontos de recolha adequados.

No Dia Internacional do Lixo Electrónico, a DECO PROteste recorda que estes resíduos exigem cuidados específicos. Ainda antes da reciclagem, apela ao prolongamento da vida útil destes equipamentos. “optar pela reparação e evitar substituições desnecessárias são também formas de reduzir a produção de resíduos”, vinca.

A DECO PROtestes reuniu cinco passos a ter em conta no momento de decidir o destino dos equipamentos eléctricos e electrónicos. O primeiro é avaliar a necessidade de substituir o equipamento, o privilegiar de produtos duráveis e o evitar da troca de aparelhos que continuem a funcionar apenas por existirem modelos mais recentes. É feito um apelo à reparação ao invés da substituição, à venda de produtos já não necessários, mas ainda em boas condições, a lojas de artigos em segunda mão, ou a doação a instituições de solidariedade social.

A quarta sugestão passa por aproveitar a compra de um novo equipamento para entregar o antigo, sendo que no caso de electrodomésticos de grandes dimensões é possível solicitar a recolha do equipamento antigo aquando da entrega do novo. Por fim, a DECO PROteste aconselha a encaminhar os equipamentos para os pontos de recolha adequados. Se não for possível reparar ou reutilizar o equipamento, a reciclagem deve ser o próximo passo.

Estes resíduos devem ser entregues em ecocentros ou pontos de recolha específicos, disponibilizados por entidades como o Electrão, a ERP Portugal e a E-Cycle. Alguns supermercados e centros comerciais também tem disponíveis contentores próprios. Os locais de entrega podem ser consultados em www.ondereciclar.pt.

Gestão de REEE “nunca funcionou bem”

Segundo os últimos dados oficiais da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), em 2024 Portugal apenas recolheu e tratou 32% destes resíduos, o que corresponde a menos de metade da meta comunitária, que é de 65%. O alerta é deixado pela ZERO, que fala numa “história de um sistema de gestão de resíduos que nunca funcionou bem”.

As razões para este descalabro são múltiplas, mas têm sempre por base acções ou omissões das três entidades públicas que ao longo destes 20 anos deveriam ter zelado por garantir a boa gestão dos REEE: o Ministério do Ambiente, a APA e a Direção-Geral das Atividades Económicas. ZERO

A anunciada criação, a partir de 1 de Dezembro, de um incentivo financeiro para a entrega de REEE pelos consumidores é, para a ZERO, um “sinal de esperança”, que teme, contudo, que a medida venha a ser subvertida. Ao longo dos últimos anos, a penalização pelo incumprimento de metas no que concerne à gestão dos REEE tem sido “irrisória”, segundo a associação, que explica que “continuou a ser economicamente compensatória a má gestão”.

Em 2025, a Taxa de Gestão de Resíduos, paga ao Estado pelas entidades gestoras incumpridoras, foi inferior a 40 euros por tonelada. Ou seja, muito abaixo do custo médio de recolha e tratamento de uma tonelada de REEE. Desta forma, para as entidades gestoras dos REEE “continuou a valer a pena não cumprir as metas”, remata.

Dado que as entidades gestoras dos REEE funcionam num sistema de concorrência, é necessário que o mesmo seja regulado por uma entidade pública, sendo essa a função da Comissão de Acompanhamento da Gestão dos Resíduos (CAGER). Só que essa Comissão nunca funcionou devidamente e agora está parada há mais de dois anos, apesar do presidente da APA ter sido nomeado para presidir a CAGER em Dezembro do ano passado, situação que tem como consequência uma total desregulação deste sector, em que, a entidade gestora que pior trabalha, mais ganha. ZERO

Também os relatórios da Inspeção-Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território (IGAMAOT) têm alertado para os problemas nos REEE, e foram aprovadas recomendações na Assembleia da República para a melhoria da situação.

A ZERO alerta para “impactes muito significativos na saúde pública e no ambiente, decorrentes da libertação das substâncias perigosas que integram esses resíduos”. Para além disso, a partir de 2027, esta má gestão pode vir a ser responsável por uma factura de várias centenas de milhões de euros que o Estado Português vai ter de pagar à União Europeia pelas toneladas de REEE que não forem devidamente geridas.