Chegada de migrantes da África Ocidental à Europa cai 59%, mas risco cresce
As chegadas por via marítima de migrantes provenientes da África Ocidental à Europa dimínuiram 59% no primeiro semestre, em comparação com o mesmo período no ano anterior, anunciou hoje a Organização Internacional para as Migrações (OIM).
Segundo os novos dados sobre as rotas migratórias da África para a Europa, o número de migrantes provenientes dos principais países da África Ocidental - Gâmbia, Guiné, Mali e Senegal - diminuiu devido à utilização de rotas mais longas e perigosas, tendo sido registada a entrada de 4.566 pessoas no continente europeu neste primeiro semestre.
A OIM alertou, no entanto, que esta diminuição não deve ser interpretada como uma melhoria nas condições que motivam a migração irregular.
As mudanças nas rotas marítimas mais utilizadas aumentaram significativamente o risco de naufrágios e desaparecimentos, de acordo com a agência das Nações Unidas para as migrações.
A rota atlântica da África Ocidental continuou a ser a principal, com os cidadãos destes quatro países a representarem 83% das chegadas registadas entre janeiro e junho.
Além disso, a organização observou um aumento semestral nas rotas do Mediterrâneo Ocidental (21,9% face 15,6% em 2025) e do Mediterrâneo Central (10,5% em comparação com os 8,6% do ano passado).
A organização destacou que, embora as chegadas às Ilhas Canárias tenham diminuído 62% entre 2024 e 2025, as mortes e os desaparecimentos neste percurso apenas diminuíram 4% (de 1.215 para 1.172 casos), "o que evidencia como aumentou o perigo desta rota para os migrantes".
"Nenhum país pode resolver isto sozinho", salientou a diretora-geral da OIM, Amy Pope, que apelou à proteção dos migrantes em todas as etapas da viagem, à criação de oportunidades reais para os jovens e ao reforço da cooperação transfronteiriça para reduzir os riscos e salvar vidas.
Segundo a organização, o reforço dos controlos nos pontos tradicionais de partida em Marrocos, Mauritânia e Senegal contribuiu para deslocar as partidas para sul, em direção à Gâmbia, Guiné e Guiné-Bissau, sendo que é a partir destes países que se iniciam estes percursos, que se podem prolongar até cerca de 2.200 quilómetros.
Estes percursos mais longos, que começam em costas mais remotas e menos vigiadas, expõem os migrantes durante mais tempo no mar e aumentam o risco de naufrágio, desidratação e desaparecimento.
Os dados sobre as partidas e intercessões indicam que as pessoas continuam a tentar chegar à Europa, mesmo perante perigos crescentes.