Um novo ciclo

Muito se tem falado sobre as formas de mitigar o custo de vida por causa dos sucessivos aumentos dos preços do combustíveis. Tudo certo embora haja mais gente a pensar em combater o preço dos combustíveis apenas com dinheiro público do que a combater a dependência colectiva dos combustíveis. Subsidiar o sistema em cada aumento pode aliviar a factura hoje, mas não resolve a vulnerabilidade amanhã.

Há ideias que não vejo abordadas por quem decide no sentido de reforçar temporariamente o apoio à utilização dos transportes públicos, baixando o custo do passe e incentivando a utilização regular do autocarro, sobretudo nas deslocações pendulares. Ou no sentido de apoiar famílias e trabalhadores com maior dependência do automóvel por via de mecanismos focados em quem vive longe dos centros urbanos. Ou na criação de incentivos à partilha de viatura — empresas, administração pública e plataformas digitais poderiam promover carpooling, sobretudo nas deslocações entre concelhos.

ou na aceleração da electrificação das frotas públicas, com o Governo Regional, autarquias e empresas públicas a dar o exemplo, substituindo progressivamente viaturas convencionais por veículos eléctricos. Ou apoiar empresas na redução da factura energética, com incentivos à renovação de frotas, à optimização logística e às soluções de autoconsumo, particularmente para sectores muito dependentes do transporte. Estas são algumas ideias para um novo ciclo em que mais do que amortecer a pancada com apoios circunstanciais o Governo deve meter na cabeça que é preciso subsidiar a transição para uma Madeira menos dependente dos combustíveis.

Carlos A.