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Os novos escravos

Penso que já terei falado disto em algum artigo anterior, mas já são tantos anos a maçar as pessoas com esta história do dispêndio de caracteres que estou baralhado e peço antecipadamente desculpa se o conteúdo se confirmar ser repetido.

Aviso igualmente que não colherei grandes simpatias com o que vou escrever, antecipando uma vez mais o ataque e a historieta do coitado do velho do escravo, que é explorado até ao tutano pelo diabo do patrão, espremedor de talento sem pingo de ética, onde naturalmente eu estarei incluído.

Para efeitos deste exercício, começo com uma proposta de alteração em relação à forma como os vencimentos são pagos: - eles deviam ser entregues brutos, cabendo a cada contribuinte tratar de depositar na sua conta da Segurança Social a respectiva contribuição, no total de 34,75% (os 23,75% que cabem à empresa e os 11% encargo do trabalhador).

Depois, propunha uma outra alteração: - que se dividissem os 14 ordenados que são pagos pelos 12 meses do ano, isto apesar de só se trabalharem 11 mas dando esse mês de barato.

Penso que teria algum impacto perceber que os 980€ de ordenado mínimo custam afinal, mensalmente, 1.414,88€ (mais subsídio de alimentação e seguro de acidentes de trabalho, pelo menos) e que o ordenado médio de 1.748€ tem um custo mensal efectivo de 2.523,68€.

A minha proposta não acaba aqui e tornaria obrigatório o pagamento, em igual medida, da contribuição para a Segurança Social para os trabalhadores da função pública admitidos antes de 2005, o que certamente ajudaria a equilibrar uma conta hoje deficitária. Todos deveriam igualmente receber o montante bruto e devolver as contribuições à, neste caso, entidade patronal.

Quero com isto dizer que se ganha bem aqui na Região? É este o meu ponto e onde queria chegar. Não sei dizer e explico porquê: – não tenho nenhuma medida de produtividade associada a estes valores, nem ao ordenado mínimo, nem ao médio, que cada vez mais se vai espremer em função destas constantes benesses dados com a carteira alheia.

Se, por cada euro ganho, se produzem dois em média, eu diria que a remuneração é muito baixa e que os vencimentos têm mesmo de subir. Se, por outro lado, cada euro ganho representa uma produção de 50 cêntimos, diria que estamos com um problema e que se paga em excesso.

Onde nos encontramos, quem responder algo diferente do “não sei” está a mentir. Ou estará somente a politizar a questão? Seja de que maneira for, enquanto não conseguirmos começar a medir a produtividade e a tê-la como parâmetro de análise, fundamental para a fixação pelo menos do mínimo, continuaremos a navegar na maionese das medidas populistas e eleitoralistas, que têm um custo altíssimo para os verdadeiros novos escravos, que são actualmente as empresas na mão do Estado.