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Carlos Cabreiro defende ter condições para continuar a dirigir PJ

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O diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ), Carlos Cabreiro, considerou hoje que tem condições para se manter no cargo, apesar de estar a ser investigado por falsidade de testemunho e abuso de poder.

"Estou em condições de me manter no cargo e tenho a firme convicção daquilo que tenho de fazer na Polícia Judiciária", afirmou, aos jornalistas, Carlos Cabreiro, depois de ter dado uma aula sobre integridade e prevenção da corrupção na Escola Secundária Padre António Vieira, em Lisboa.

Em 23 de setembro, o Ministério Público realizou buscas na sede e na escola de formação da PJ, em Lisboa e em Loures, para recolher "elementos probatórios tendentes a confirmar ou infirmar os factos constantes" de uma denúncia que deu origem a um inquérito, relacionado com declarações prestadas em tribunal no âmbito do processo Football Leaks, que culminou na condenação a pena suspensa do pirata informático autointitulado denunciante Rui Pinto, confirmou então a Procuradoria-Geral da República (PGR).

Remetendo para "sede própria" toda as respostas às suspeitas que pendem sobre si, também sobre uma suposta autorização para alegadas escutas ilegais durante a investigação do caso Football Leaks, Carlos Cabreiro disse ainda sentir ter a confiança do Ministério da Justiça, que tutela a PJ.

Na quarta-feira, o parlamento aprovou uma audição urgente da ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, sobre as buscas na PJ.

Hoje, o diretor nacional da força policial mostrou-se recetivo a prestar igualmente esclarecimentos aos deputados caso seja chamado para esse fim à Assembleia da República.

"Não é uma questão de disponibilidade, é uma questão de ser ou não chamado para prestar declarações. Irei prestar todos os esclarecimentos que forem necessários", disse.

O primeiro julgamento do Football Leaks decorreu entre 2021 e 2023, em Lisboa, e o processo envolveu casos de acesso indevido e violação de correspondência de entidades como o Sporting, a Doyen (fundo de investimentos ligados ao futebol), a sociedade de advogados PLMJ, a Federação Portuguesa de Futebol e a PGR.

Carlos Cabreiro, diretor nacional da PJ desde abril de 2026, era à data das diligências sob suspeita, em 2015, coordenador da Secção de Investigação da Criminalidade Informática da Diretoria de Lisboa e Vale do Tejo daquela força policial.

O inquérito em curso por falsidade de testemunho e abuso de poder "não tem arguidos constituídos", esclareceu, há uma semana, a PGR.