Reino Unido prestou apoio operacional aos EUA na apreensão de petroleiro ligado à Rússia
O Ministério da Defesa britânico revelou hoje que prestou apoio operacional aos Estados Unidos na apreensão, no Atlântico Norte, de um petroleiro ligado à Rússia que estava a ser perseguido há vários dias pela Guarda Costeira norte-americana.
"As forças armadas britânicas prestaram apoio operacional planeado (...) às forças militares norte-americanas que intercetaram o Bella 1 (recentemente renomeado Marinera) entre o Reino Unido e a Islândia", detalhou o ministério em comunicado.
Os britânicos proporcionaram aos norte-americanos acesso a pelo menos uma base aérea, a Royal Air Force realizou vigilância aérea e um navio de abastecimento "forneceu apoio às forças norte-americanas enquanto perseguiam e intercetavam" o petroleiro, explicou ainda o ministério.
"Nenhum militar britânico embarcou" no petroleiro, sublinhou o secretário da Defesa, John Healey, numa declaração ao Parlamento hoje à noite.
O ministro salientou também que o Bella 1, o seu nome original, era considerado "sem bandeira" por estar a hastear uma "bandeira russa falsa" e, por isso, poderia "ser legalmente intercetado e sujeito à lei do Estado" que tinha imposto as sanções.
O petroleiro estava sob sanções dos EUA desde 2024 pelas alegadas ligações ao Irão e ao grupo xiita libanês Hezbollah e não transportava qualquer carga, segundo o 'site' especializado TankerTrackers.
O Ministério da Defesa acrescentou na mesma nota que o Reino Unido "continuará a intensificar as suas ações contra as atividades da frota fantasma, a fim de proteger a sua segurança nacional, a sua economia e a estabilidade global".
O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia exigiu hoje "um tratamento humano e digno" para a tripulação do petroleiro intercetado.
O navio tinha repelido uma tentativa de abordagem em dezembro e seguido para o Atlântico, período durante o qual a tripulação pintou uma bandeira russa no casco, alterou o nome da embarcação e procedeu ao registo na Rússia.
A abordagem ocorreu sem resistência da tripulação, tendo a Guarda Costeira dos EUA confirmado que não foi avistada qualquer embarcação russa nas proximidades no momento da operação.
De acordo com o jornal norte-americano The Wall Street Journal, a Rússia terá enviado um submarino para escoltar o petroleiro, depois de ter solicitado aos EUA que cessassem a perseguição à embarcação.
Desde o final de dezembro que a Guarda Costeira norte-americana tenta apreender o navio, quando se dirigia à Venezuela para carregar petróleo, no âmbito do bloqueio imposto por Washington a petroleiros de transporte de crude venezuelano, bloqueio que se mantém após a captura do Presidente, Nicolás Maduro, e da transferência para Nova Iorque.
O Marinera é o terceiro petroleiro ligado à Venezuela, integrado numa alegada "frota fantasma" que transporta crude ilícito, apreendido pelos EUA desde o reforço da pressão sobre o Governo venezuelano.