Jovens internos confiantes no seu percurso no SESARAM
78 novos médicos iniciaram hoje a sua formação geral ou específica no Serviço de Saúde da Região. Decorreu, na manhã de hoje, a cerimónia de recepção a estes novos profissionais
Foram 78 os novos jovens médicos internos que iniciaram hoje o seu percurso formativo no Serviço de Saúde da Região (SESARAM). Do conjunto, 40 são internos de formação geral, iniciando agora o chamado 'ano comum', enquanto outros 38 começam a sua formação especializada, muitos dos quais sem qualquer vínculo ou ligação prévia o SESARAM ou à Madeira.
Foi o caso de Raquel Pichel, que veio de Gaia. A nova interna de Ortopedia chegou à Região há poucos dias, e embora tenha sido bem acolhida, não deixa de evidenciar as dificuldades que tem sentido para encontrar uma habitação. Quanto à escolha da Madeira para a realização deste seu percurso formativo, a jovem médica diz acreditar na capacidade e qualidade do SESARAM. "Era a especialidade que eu queria e dentro dos vários locais onde poder cumprir a formação, a Madeira surgiu como uma oportunidade", constata, complementando que a Região "oferecia as condições de formação que agradavam" e "cumpriam com os objectivos" traçados.
E embora conte com o apoio dos colegas madeirenses, Raquel Pichel que até está habituada à pressão imobiliária do grande Porto, não esconde as dificuldades com que se deparou a esse nível na Madeira, sobretudo, reforça, por o hospital se situar "numa zona que é de grande pressão".
Essas dificuldades têm sido partilhadas por Tiago Rocha, interno de Medicina do Trabalho. Vindo de Viseu, o jovem médico chegou ontem à Região e não esconde os problemas com que se tem deparado para encontrar casa para si e para poder trazer consigo a família. "Isso não foi nada fácil, nada mesmo", cosntata.
Mesmo sem conhecer o Serviço de Saúde da Região, diz que foi com agrado que resolver aproveitar a última vaga da especialidade que tanto queria seguir, e, pelo que já conhecia da ilha, diz ter sido uma decisão "fácil".
Quem fica em casa é Isabel Silva. Depois de, no ano passado, ter feito o internato geral na Madeira, a jovem madeirense não hesitou em voltar a escolher o SESARAM para continuar a sua formação como médica, desta feita na especialidade de Medicina Geral e Familiar. "Foi a minha primeira opção. Fiz o ano comum aqui e foi uma excelente experiência", constata aos jornalistas, procurando justificar a sua escolha com a qualidade de vida de que goza na Madeira.
Quanto a vir a ser médica de família, Isabel Silva disse ter sido essa sempre uma vontade desde que iniciou o seu percurso como estudante de medicina. "Esta acaba por ser uma especialidade que abrange muitos tipos de doentes e até vemos pessoas que não estão doentes, actuando numa fase mais preventiva. Tanto vemos crianças, recém-nascidos, como jovens, idosos, grávidas, essa diversidade sempre me cativou.
Sobre a qualidade e as condições que o Serviço de Saúde da Região disponibiliza, a jovem médica compara com o continente e não hesita em apontar que por cá "são muitos melhores". "Os internos, cá, acabam por ser um apoio que, se calhar, fora podem não ter tanto apoio", sintetiza, notando que, no seu entender, "é uma mais-valia" a criação de condições para a escolha dos internos pela Madeira e, posteriormente, a sua fixação na Região como especialistas.
Quem também se mostrou satisfeita com o número de jovens médicos que agora dão início ao seu processo formativo no SESARAM foi Micaela Freitas.
A secretária regional de Saúde e Protecção Civil destacou o facto de todas as vagas que haviam sido solicitadas pelo SESARAM à Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) terem sido disponibilizadas, e dessas apenas duas terem ficado por preencher, respectivamente Patologia Clínica e Medicina de Urgência e Emergência.
Dirigindo-se aos jovens médicos, a governante garantiu acompanhamento adequado e formação de qualidade, incluindo na vertente tecnológica. "O que nós queremos sempre é que a humanização esteja presente. O utente tem de estar no centro da nossa atenção, porque a saúde é isto, é trabalhar de pessoas para pessoas", salientou.