SESARAM "compreende" desgaste dos enfermeiros das urgências
No entanto, entidade enaltece que "nunca contou com um efectivo de profissionais tão elevado como no presente"
Na sequência das notícias sobre o desgaste dos enfermeiros e a pressão no Serviço de Urgências do Hospital Dr. Nélio Mendonça, o SESARAM enalteceu que conta actualmente com o maior número de enfermeiros de sempre, com um total de 115 profissionais.
Em comunicado, a instituição afirmou compreender "o sentimento de desgaste manifestado pelos enfermeiros deste serviço", destacando que a actuação nesta área, "por natureza desafiante e urgente", é de extrema importância. "Reconhece-se que a pressão assistencial é um desafio constante, em particular quando o fluxo de doentes é condicionado por fatores externos à gestão clínica imediata", sublinha.
Enfermeiros da Urgência do Hospital Dr. Nélio Mendonça declinam responsabilidade
Enfermeiros do Serviço de Urgência Adultos do Hospital Dr. Nélio Mendonça estão a apresentar declarações de escusa de responsabilidade, dirigidas ao Conselho de Administração do Serviço de Saúde (SESARAM), à Direcção de Enfermagem e à Secção Regional da Madeira da Ordem dos Enfermeiros, invocando a falta de condições para garantir cuidados seguros e de qualidade.
Relativamente às declarações de escusa de responsabilidade, o SESARAM esclarece que estas foram subscritas por cerca de 70 enfermeiros, o que corresponde a aproximadamente 60% do efectivo do serviço. "Este é um procedimento de natureza profissional e deontológica direcionado à instituição e à Ordem dos Enfermeiros, não configurando, em circunstância alguma, uma escusa de responsabilidade civil na prestação de cuidados aos doentes", frisa.
Apesar das dificuldades, o SESARAM garante que o Serviço de Urgência "nunca contou com um efectivo de profissionais tão elevado como no presente", com 115 profissionais. "A par deste reforço estrutural, a instituição tem recorrido ao trabalho suplementar do efetivo e ao reforço extra de oito profissionais provenientes de outros serviços para apoiar especificamente o Serviço de Urgência", esclarece.
O bem-estar e as condições de trabalho dos nossos profissionais são sempre uma das nossas principais prioridades SESARAM
Um dos principais constrangimentos identificados para esta situação prende-se com o elevado número de chamadas altas clínicas. Actualmente, de acordo com a entidade, cerca de 230 utentes, apesar de já terem alta médica, permanecem internados à espera de resposta social ou de vaga em unidades de rectaguarda. Ainda assim, o SESARAM destaca uma redução face a Julho de 2025, período em que se registavam cerca de 260 situações. "Este cenário limita a rotatividade das camas e a gestão de internamentos, resultando em doentes que, neste momento, aguardam transferência do Serviço de Urgência para a enfermaria", refere.