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Líder supremo iraniano alerta que protestos fazem parte de uma "guerra suave"

FOTO IRAN'S SUPREME LEADER OFFICE/EPA
FOTO IRAN'S SUPREME LEADER OFFICE/EPA

O líder supremo do Irão, 'ayatollah' Ali Khamenei, reconheceu hoje o mal-estar provocado pela situação económica do país, que tem justificado vários protestos nos últimos dias, mas alertou que estes fazem parte de uma "guerra suave".

"Quando um empresário vê a queda do valor da moeda nacional, a instabilidade das taxas de câmbio e a falta de estabilidade económica e diz que não pode fazer negócios, ele está a dizer a verdade", afirmou Khamenei durante um encontro com familiares das vítimas do ataque norte-americano que visou em janeiro de 2020 o general da Guarda Revolucionária Qasem Soleimani no Iraque.

De acordo com a agência espanhola Europa Press, o líder iraniano sublinhou que "as autoridades do país aceitam isso" e disse saber que "o Presidente e outros altos funcionários estão a tentar resolver esse problema".

"É um problema, mas a mão do inimigo também está envolvida", advertiu.

O líder supremo iraniano defendeu que "o importante" é não ficar "indiferente perante a guerra suave do inimigo".

Ali Khamenei considerou que "o protesto é justificado, mas protestar não é o mesmo que causar distúrbios" e que "é absolutamente inaceitável que um grupo com objetivos de destruição e desestabilização do país se posicione atrás de empresários de fé, reais e revolucionários para tirar partido dos seus protestos".

Tudo isto faz parte de uma "conspiração do inimigo que não descansa e que aproveita todas as oportunidades", alegou.

O líder iraniano culpou os Estados Unidos pelo aumento das taxas de câmbio da moeda e disse acreditar que os "mercenários do inimigo estão por trás dos empresários e gritam 'slogans' anti-islâmicos, anti-iranianos e contra a República Islâmica".

De acordo com a agência francesa AFP, que cita a agência iraniana Mehr, foi hoje morto um elemento da Guarda Revolucionária, o exército ideológico do Irão, na região oeste do país.

"Durante confrontos em Malekshahi, Latif Karimi, membro da Guarda Revolucionária, foi morto ao defender a segurança do país", detalhou a agência de notícias francesa, que já tinha anunciado a morte de outro membro das forças de segurança ao início do dia de hoje.

O Irão atravessa uma crise económica, marcada por uma inflação anual de 42%, enquanto a inflação homóloga em dezembro superou os 52%.

A moeda local, o rial, tem vindo a desvalorizar-se, pressionado pelas sanções impostas pelos Estados Unidos e pela ONU devido ao programa nuclear de Teerão.

Já desde domingo passado que têm sido feitos protestos em várias cidades do país, tornando-se na maior expressão de descontentamento público no Irão desde os levantamentos de 2022.

As manifestações de protesto no Irão levaram na sexta-feira o Presidente norte-americano, Donald Trump, a avisar Teerão que não ficará passivo a assistir ao que considera ser "um ato de repressão" do regime.

A atitude levou o representante diplomático do Irão junto das Nações Unidas a enviar uma carta ao secretário-geral da ONU, António Guterres, em protesto contra o que considerou uma ingerência de Trump.

Na sexta-feira de manhã, Trump ameaçou que, "se o Irão disparar contra manifestantes pacíficos e matá-los violentamente, como costuma fazer, os Estados Unidos da América irão em seu auxílio", adicionando que os militares norte-americanos estão "prontos, armados e preparados para intervir".