DNOTICIAS.PT
Comunidades Mundo

Ataque dos EUA faz culminar estratégia iniciada há 28 semanas

None
Foto EPA

Os Estados Unidos bombardearam hoje território venezuelano e capturaram o Presidente Maduro numa operação militar que faz culminar uma escalada de ataque iniciada há 28 semanas, apoiada na argumentação de luta contra o narcotráfico, sem esconder a pretensa mudança de regime.

As advertências vindas de Washington consubstanciaram-se inicialmente na maior mobilização militar já vista no mar das Caraíbas, com o porta-aviões USS Gerald Ford, o maior da Marinha dos Estados Unidos, na frente de ataque.

A nível militar, a resposta da Venezuela decretou a mobilização de milicianos, ou seja, a mobilização de população armada para enfrentarem "uma fase de luta armada" face a um eventual ataque norte-americano.

O segundo passo da estratégia de guerra iminente ganhou forma com os ataques contra embarcações supostamente utilizadas por organizações de tráfico de droga, com forças militares norte-americanas a bombardearem mais de 30 barcos, matando pelo menos 112 pessoas, segundo o balanço norte-americano.

Os ataques foram muito criticados por organizações de direitos humanos, que os consideraram como execuções extrajudiciais. Um dos ataques foi especialmente controverso, pois tudo indica que os alegados traficantes de drogas não morreram no primeiro ataque, tendo havido um segundo bombardeamento quando estavam feridos e à deriva, o que constitui uma violação das leis do mar.

Aos ataques a embarcações, sucedeu o anúncio, pelo Departamento de Estado norte-americano, da designação do Cartel dos Sóis como "organização terrorista estrangeira". O suposto grupo criminoso foi acusado de apoiar outros grupos similares, como o Tren de Aragua e o cartel mexicano de Sinaloa, por ameaçarem "gravemente" a paz e a segurança dos Estados Unidos.

Mais tarde, Washington colocou o setor da aviação civil na mira com um aviso de segurança emitido em 21 de novembro, no qual a Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA, na sigla em inglês) pedia às companhias aéreas que "tomassem extremo cuidado" ao sobrevoar a Venezuela devido a possíveis problemas de interferência e segurança. Como resultado, várias companhias aéreas suspenderam os voos para o país.

Caracas respondeu revogando as autorizações de voo da Iberia, Turkish Airlines, Gol, Latam Colombia e Avianca após ter expirado o prazo de 48 horas que lhes concedera.

Em 01 de dezembro, o Presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, anunciou numa mensagem publicada na sua rede social Truth Social que o espaço aéreo da Venezuela continuaria "totalmente fechado", após uma conversa com Maduro no final de novembro, sem resultados para o dirigente norte-americano.

Trump confirmou a chamada telefónica com o homólogo em 30 de novembro e, numa conversa com a imprensa, afirmou: "Não diria que foi bom nem mau. Foi uma chamada telefónica."

Dias depois, Maduro também confirmou o contacto, destacando o "tom respeitoso" em que decorreu. "Posso até dizer que foi cordial", afirmou na altura.

O que parecia ser o golpe de misericórdia contra a Venezuela foi desferido por Washington ao setor petrolífero, que, segundo estimativas, representa 90% das receitas do Estado venezuelano.

Em 10 de dezembro, a Guarda Costeira dos Estados Unidos apreendeu o navio Skipper com petróleo venezuelano no Caribe e levou-o para um porto norte-americano para o descarregar. Seis dias depois, Washington anunciou "o bloqueio total " dos petroleiros que chegassem ou partissem da Venezuela" e, 10 dias depois, apreendeu um segundo petroleiro, o Centuries.

O terceiro petroleiro na mira dos Estados Unidos foi o Bella 1, um navio vazio que se dirigia à Venezuela para carregar petróleo bruto. Todavia, perante a tentativa de abordagem da Guarda Costeira americana, o comando da embarcação rejeitou prosseguir e deu meia volta, o que levou ao início de uma perseguição de vários dias nas águas do Atlântico.

Os Estados Unidos não reconhecem formalmente Nicolás Maduro como Presidente, pois consideram ilegítimos os resultados oficiais das eleições presidenciais de 28 de julho de 2024 e apoiam as denúncias da oposição, que afirma que as eleições foram ganhas pelo opositor Edmundo González.

Desde então, tanto González como a líder da oposição María Corina Machado deixaram o país, com a Nobel da Paz a abandonar o território nas últimas semana, com o auxílio de Washington para poder viajar para a Noruega, onde lhe foi entregue o galardão.

Os Estados Unidos ofereceram, entretanto, uma recompensa de 50 milhões de dólares (cerca de 42 milhões de euros) por informações que levassem à captura de Maduro e sancionaram vários outros altos funcionários do Governo venezuelano.

Nicolás Maduro foi formalmente acusado nos Estados Unidos por corrupção, tráfico de drogas e outras acusações em 2020.

Ao anunciar, hoje, a captura de Maduro, Trump afirmou ter sido realizada em colaboração com as forças da ordem americanas, com a acusação formal do Presidente venezuelano a ser apresentada no distrito Sul de Nova Iorque.