EUA procuram alianças económicas com uma "África estável e próspera"
O subsecretário de Estado dos Estados Unidos, Christopher Landau, afirmou ontem que Washington está disponível a ajudar uma "África estável e próspera" com a qual possa desenvolver alianças económicas de benefício mútuo.
"A minha mensagem deve ser clara: os Estados Unidos da América querem estar presentes em África", disse, numa conferência de imprensa conjunta com o presidente da Comissão da União Africana (UA), Mahmoud Ali Youssouf, na sede da organização, na capital etíope, Adis Abeba.
"As nossas conversas (com a UA) centraram-se nas formas como os Estados Unidos podem contribuir para África, na medida em que África contribui para a nossa segurança e prosperidade. Temos interesse em ter uma África estável e próspera. África oferece inúmeras oportunidades económicas e comerciais", indicou.
Landau afirmou que "existem novos mercados, novas oportunidades económicas", ao precisar que África tem "recursos naturais incríveis que podem ser desenvolvidos para o bem dos povos de África, mas também para os cidadãos" dos Estados Unidos.
Nesse sentido, o Governo norte-americano e a Comissão da UA acordaram estabelecer um Grupo de Trabalho Estratégico sobre Infraestrutura e Inversão (SIWG,na sigla em inglês) com o objetivo de "promover e impulsionar alianças económicas entre os Estados Unidos e África que gerem emprego, prosperidade e segurança económica, tanto na América como em toda a África", de acordo com uma nota conjunta.
O representante do Departamento de Estado citou como um "grande exemplo" de interesse para os EUA o Corredor do Lobito e a ferrovia que unirá o Atlântico às minas da República Democrática do Congo (RDCongo) e da Zâmbia através de Angola, com a qual o Ocidente procura ganhar terreno à China para o abastecimento de minerais em África.
Nas questões de segurança, Landau, que se fez acompanhar pelo responsável do Comando Militar dos Estados Unidos em África (Africom), o general Dagvin Anderson, realçou que "a ninguém convêm ter conflitos no continente".
"Não queremos que África, nem nenhum país africano, seja um refúgio para indivíduos ou grupos que desejam prejudicar pessoas de outros países, e não queremos que pessoas de fora de um país em particular, nem atores externos, criem instabilidade em África", afirmou, sem citar nomes.
"Há muito trabalho que podemos fazer com as nações de África, com a União Africana, para promover a segurança desta região, dos Estados Unidos e do mundo", concluiu.
Youssouf, por seu lado, reafirmou "o firme compromisso da União Africana com esta associação estratégica aos Estados Unidos, baseada no respeito mútuo, nos interesses partilhados e num compromisso comum com a paz, a estabilidade e a prosperidade".
Hoje, Landau reuniu-se também com o primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed, que destacou a importância da "colaboração contínua" com os Estados Unidos.
O subsecretário, que chegou à Etiópia vindo do Egito, continua o périplo africano, iniciado em 24 de janeiro e que se prolonga até 01 de fevereiro.
A próxima etapa será no Quénia, onde "vai abordar a cooperação comercial, a cooperação antiterrorista, a contribuição do Quénia para a segurança no Haiti e outros assuntos regionais", segundo o seu departamento.
A última escala de Landau será no Djibuti, onde pretende "dialogar com os líderes governamentais sobre a segurança e a cooperação antiterrorista", bem como sobre a relação comercial.
Esta viagem, segundo o Departamento de Estado, procura promover as prioridades do Presidente Donald Trump: "reequilibrar o comércio, garantir um ambiente empresarial positivo e promover a segurança e a paz".
Este périplo acontece duas semanas após a visita do ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, à Etiópia, Tanzânia e Lesoto, cumprindo a tradição que marca todo o continente africano como destino da primeira viagem do ano do chefe da diplomacia do gigante asiático, grande rival geopolítico dos Estados Unidos.