Fronteira de Rafah reabrirá domingo para pessoas nos dois sentidos
A fronteira de Rafah, que liga o Egito à Faixa de Gaza, reabrirá no próximo domingo para peões, nos sentidos de entrada e saída do território palestiniano, indicou hoje, no Cairo, uma fonte oficial palestiniana.
A fonte da Autoridade Palestiniana, citada pela agência espanhola EFE e que pediu anonimato, sublinhou que a passagem reabrirá "tanto para entrar como para sair" no próximo domingo e que o atraso da reabertura se deve a "trâmites logísticos", sobre os quais não pormenorizou, bem como ao facto de o posto fronteiriço estar "completamente destruído".
A informação coincide com a avançada hoje por meios de comunicação social árabes, como foi o caso da emissora estatal saudita al-Arabiya.
Na terça-feira, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou que a próxima reabertura da passagem de Rafah, encerrada por Israel em maio de 2024, quando ocupou o lado palestiniano, terá lugar exclusivamente "sob supervisão do Exército (israelita) em ambos os sentidos".
Também na terça-feira, a Comissão Europeia explicou que a missão comunitária EUBAM Rafah "continua à espera" de poder ajudar a gerir a fronteira e assegurar o seu bom funcionamento, bem como o respeito pelo direito internacional.
A reabertura da passagem estava condicionada à localização do corpo do último refém israelita ainda retido na Faixa de Gaza.
Embora o Exército israelita tenha anunciado na segunda-feira que identificou os restos mortais do polícia Ran Gvili, entregues pelo grupo radical palestiniano Hamas, as autoridades israelitas ainda não confirmaram uma data para a reabertura.
Ainda na terça-feira, uma fonte da segurança egípcia adiantou à agência de notícias espanhola EFE que estão em curso os preparativos para a reabertura total da fronteira de Rafah, embora se desconheça a data concreta para permitir a entrada ilimitada de camiões com ajuda humanitária, que está a funcionar a conta-gotas.
Segundo a mesma fonte, a reabertura oficial ocorrerá após a conclusão das obras no lado palestiniano da passagem, incluindo os acessos e a elaboração das listas de saídas e regressos, embora não tenha especificado a data exata.
Numa fase inicial, está previsto que entre 100 e 150 pessoas entrem e saiam diariamente de Gaza através da fronteira de Rafah.
Entre as medidas previstas figura a instalação de um posto de controlo fora do complexo da passagem, onde o pessoal de segurança procederá à verificação das pessoas que entrem e saiam.
O Exército de Israel não participará diretamente nestes controlos, embora esteja prevista a presença de seguranças israelitas na zona para supervisionar a situação.
De acordo com a fonte egípcia, estes números poderão ser alargados assim que o mecanismo de inspeção e o funcionamento da passagem demonstrem a sua eficácia.
O procedimento acordado estabelece que Israel receberá diariamente as listas das pessoas que entram e saem do Egito, as quais serão enviadas para o Shin Bet (serviço de informações internas israelita) para avaliação de segurança, questão criticada na segunda-feira pelo Hamas, por considerar que concederia a Israel "um controlo indireto de segurança" sobre a passagem.
Um acordo de cessar-fogo está em vigor desde 10 de outubro de 2025 entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza, colocando fim a dois anos de guerra no enclave, desencadeada pelo ataque de 07 de outubro de 2023 do grupo extremista no sul do território israelita, no qual cerca de 1.200 pessoas foram mortas e 251 sequestradas.
Em retaliação dos ataques do Hamas em outubro de 2023, Israel lançou uma operação militar em grande escala no enclave palestiniano, que provocou mais de 71 mil mortos, segundo as autoridades locais controladas pelo grupo islamita, um desastre humanitário, a destruição de quase todas as infraestruturas do território e a deslocação de centenas de milhares de pessoas