Albuquerque continua a fazer de conta de que está vivo

Eu disse publicamente, em diversas oportunidades, que o Dr. Miguel Albuquerque, enquanto líder do PSD-Madeira (e, em consequência, do Governo Regional), estava politicamente morto. A sua capacidade de decidir ou influenciar seja o que for, em termos políticos e no que interessa à Região, pura e simplesmente, exauriu-se. Em termos nacionais e, a avaliar pelos resultados desastrosos da 1.ª volta das presidenciais, também regionais.

Muitos disseram, em comentários públicos ou privados, que eu estava enganado. Admito, apenas, que antecipei precocemente, o que estava para vir: neste momento, Albuquerque só permanece vivo. Nada influencia, não obstante os cargos de Presidente do Congresso e do Conselho Nacional que, por obséquio, lhe outorgaram. Mais valia que nunca lhos tivessem dado!

O PSD/Madeira, de eleição para eleição vai minguando em termos de eleitores. As maiorias que continuam a assegurar o governo são tiradas a ferros com margens, de cada vez, mais exíguas. A única circunstância que tem evitado a anunciadíssima derrocada é a singular tendência autofágica do principal partido da oposição regional que - não obstante avanços, ainda pouco sustentados e, até ver, inconsequentes, doutras forças -, continua a ser o PS/Madeira. Seja como for, a anunciada tendência mantém-se; “de vitória em vitória, até a derrota final”.

A morte política de Albuquerque manifesta-se, ainda e com estrondosa evidência, na questão do chamado “Subsídio de Mobilidade”. O que resulta claro, da enorme “trapalhada” dos últimos meses, é que as contribuições, opiniões ou meros recados, do Governo Regional da Madeira valem zero para os senhores que mandam na República (que são, por acaso, do mesmo partido). O que o Dr. Miguel Albuquerque diz e as fundadas razões e queixas dos madeirenses sobre a matéria, para Luís Montenegro e os demais próceres da República, significam muito pouco: condescenderam à maçada de mandar elaborar uma plataforma eletrónica – a qual, conforme a encomenda, saiu “às três pancadas”- e aproveitaram a oportunidade para juntar às exigências burocráticas, a comprovação de que nós, reles aproveitadores madeirenses a juntar aos ciganos de que o outro tanto fala, temos de demonstrar, com todas as certidões exigíveis, que nada devemos ao Fisco e à Segurança Social.

Na Constituição da República Portuguesa que o agonizante Miguel Albuquerque, em diversas ocasiões e oportunidades, muito fez por menosprezar, está inscrito o princípio da continuidade territorial (recomendo aos menos atentos ou superficiais, a simples leitura – nem digo interpretação- do disposto nas partes finais do n.º 2 do artigo 225.º e do n.º 1 do artigo 229.º da Constituição da República Portuguesa). Tanto bastaria, se mais não houvesse, para sustentar a fundada exigência de que fosse estabelecido um sistema de tarifas e reembolsos nas viagens aéreas entre a Madeira e o continente português que garantisse esse direito dos residentes deste território insular de Portugal. Esse era o ponto para “bater o pé” e declarar “daqui não saio”.

No entanto, quem, mandatado pelo governo de Albuquerque, negociou em nosso nome, foi-se abaixando e, nesta última fase, em troca de uma mirífica plataforma digital, até engoliu que o teto máximo do reembolso baixasse. Como diziam os antigos: “quem muito se agacha, o c* lhe aparece!”

No final, o resultado foi o que se tem visto: os deputados da Região na Assembleia da República, o Governo Regional e todos os partidos da Assembleia Regional a tentar marcar pontos num quadro de confusão total, com propostas legislativas que fazem rir um jurista licenciado naquelas faculdades de “vão de escada”. Os madeirenses continuam sem saber como é que podem planear a sua próxima viagem ao continente, para tratar de assuntos pessoais ou profissionais, ou motivados, apenas, pelo mero desejo de estar, um tempo, fora das ilhas!

A agonia de Miguel Albuquerque é, pelo que antecede e tudo o mais que tem acontecido, mais do que evidente. Parece que continua a governar, mas, de facto, tornou-se irrelevante: ninguém lhe liga, seja na Região, seja no país. Mais valia que fosse, definitivamente, embora, enquanto há tempo de sair com alguma honra e respeito!

João Cristiano Loja