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Madeira

“Vivemos muito, mas nem sempre vivemos tão bem”

Ana Clara Silva alerta para limites do sistema de saúde e respostas sociais

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Foto Rui Silva/ASPRESS

A saúde e o bem-estar na longevidade foram o foco da intervenção de Ana Clara Silva, directora regional das Políticas Públicas Integradas e Longevidade, na sessão inaugural do I Fórum Living Care, que decorre esta sexta-feira no Museu de Imprensa da Madeira, em Câmara de Lobos. A ‘conversa criativa’ de Ana Clara, conduzida por Tânia Caldeira, assessora da administração Living Care, constituiu o primeiro Painel do evento, dedicado ao tema ‘Mais Anos, Mais Desafios’.

“Vivemos muito, mas nem sempre vivemos tão bem”, alertou a responsável, sublinhando que o aumento da longevidade coloca novos desafios às respostas sociais e de saúde. Ana Clara Silva destacou que, embora as políticas do Estado Social tenham evoluído historicamente para cobrir necessidades médicas e sociais, muitas respostas actuais já não correspondem à realidade dos cidadãos.

A dirigente apontou para a necessidade de integração entre saúde e acção social. “Hoje, uma pessoa pode ter o mesmo perfil clínico e social, mas recebe respostas distintas da saúde e do social. Essa fragmentação não resolve o problema e precisa de ser corrigida desde a origem das políticas”, explicou.

Ana Clara Silva frisou ainda que o sector económico deve ser chamado à discussão, uma vez que a população activa é fundamental para sustentar o sistema. “A retenção dos mais velhos e a preparação dos mais novos passam pelo sector económico. Não podemos deixar esta responsabilidade apenas para saúde e social”, defendeu.

O painel incluiu também a reflexão sobre o papel das autarquias. “As autarquias são essenciais para tornar efectivas as políticas de proximidade, garantindo que a residência natural do idoso é o local onde ele se sente cuidado, com segurança e dignidade”, acrescentou.

A directora regional defendeu uma abordagem residencial e centrada nas pessoas, com soluções adaptadas ao contexto de cada cidadão, e destacou a importância de capacitar a população em literacia financeira, de forma a gerir os recursos individuais de forma mais eficiente e consciente.

O I Fórum Living Care prossegue com painéis dedicados à inovação, políticas públicas e experiências práticas na área da longevidade, reunindo especialistas, profissionais e entidades públicas e privadas.