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Madeira

Living Care alerta para falência do modelo actual dos lares

Tony Saramago defende novas respostas para a longevidade

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Foto Rui Silva/ASPRESS

O presidente da Associação Living Care, Tony Saramago, alertou esta sexta-feira para a inadequação do actual modelo dos lares face à realidade do envelhecimento da população, defendendo uma mudança estrutural nas respostas sociais e de saúde. A posição foi assumida na sessão de abertura do I Fórum Living Care, dedicado ao tema “Mais Anos, Mais Desafios”.

Na sua intervenção, Tony Saramago afirmou que “o actual modelo dos lares, tal como está desenhado, acaba por não servir verdadeiramente ninguém”, nem os utentes, nem as famílias, nem os profissionais, nem o próprio sistema. Segundo explicou, esta conclusão resulta de mais de uma década de observação directa da realidade, baseada no contacto diário com profissionais, famílias e utentes.

Hospitais sob pressão crescente

O responsável sublinhou que cerca de 90% dos utentes da Living Care chegam actualmente directamente dos hospitais, muitos deles com alta clínica, mas com elevada complexidade e necessidade de cuidados continuados. “Hoje, a maioria das pessoas que entra nos lares precisa de cuidados de saúde continuados para os quais os lares não estão preparados”, afirmou, apontando para a pressão crescente exercida sobre os hospitais e sobre o sistema regional e nacional de saúde.

Tony Saramago destacou que os lares foram concebidos como uma resposta social e não como uma extensão do sistema de saúde, realidade que considera desajustada face ao perfil actual dos residentes, caracterizado por idades muito avançadas, doenças crónicas múltiplas e elevado grau de dependência.

Defendendo que a longevidade é um desafio do presente e do futuro, o presidente da Living Care sustentou que não pode continuar a existir uma solução única para realidades tão distintas. Propôs a criação de respostas diferenciadas e complementares, desde residências para utentes com elevada dependência clínica até modelos de convivência orientados para população funcional e integrada na comunidade.

Neste contexto, elogiou o Governo Regional da Madeira por iniciativas pioneiras na área, considerando que a Região tem dado sinais de inovação na resposta ao envelhecimento.

Tony Saramago deixou ainda uma proposta concreta ao Governo Regional: a criação de uma task force para a longevidade, envolvendo as áreas da Saúde, Protecção Civil, Inclusão Social e os operadores do sector, com o objectivo de definir uma estratégia integrada para os cuidados aos idosos.

“O que está em causa é uma responsabilidade social colectiva”, afirmou, defendendo que cuidar de quem cuidou da sociedade não é apenas uma resposta assistencial, mas um imperativo humano e estrutural.