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Número de mortos em incêndio em centro comercial no Paquistão sobe para 60

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Foto EPA

As autoridades paquistanesas informaram hoje que recuperaram mais 30 corpos nas operações de busca e salvamento do incêndio num centro comercial em Karachi, cidade mais populosa do país, elevando a 60 o número provisório de mortos.

Em declarações divulgadas pela Geo TV, o chefe da polícia local, Asad Raza, adiantou que uma equipa de desativação de bombas está a recolher amostras em diferentes partes de todos os pisos do edifício incendiado no passado fim de semana. 

Também recolherão amostras dos cadáveres para as analisar em busca de vestígios de explosivos.

Até ao momento, não há versão oficial sobre a causa do incêndio.

Segundo Raza, os 30 corpos agora encontrados estavam numa única loja, onde as vítimas se terão fechado "para salvar as suas vidas".

O comissário de Karachi, Hassan Naqvi, reconheceu que a investigação sobre estes acontecimentos "se tornou bastante complexa, com múltiplas linhas de raciocínio em análise". 

"Nenhuma instituição isolada pode ser responsabilizada pelo incidente no Gul Plaza", afirmou.

O incêndio, o maior na cidade portuária em mais de uma década, começou no sábado à noite e lavrou durante mais de 30 horas, atrasando os esforços de busca e salvamento.

A intensidade do incêndio, alimentado por produtos químicos e tecidos, deixou o interior do edifício praticamente em ruínas e está a dificultar a recuperação das vítimas.

O incidente foi alvo de críticas de comerciantes e moradores locais, que descreveram como lenta a resposta dos bombeiros e das equipas de resgate. 

O anterior balanço oficial incluía 85 pessoas ainda desaparecidas sob os escombros e cerca de 20 feridos. 

As equipas de resgate assumiram hoje a impossibilidade de encontrar sobreviventes nos escombros do centro comercial, limitando-se a recuperar corpos.

"Já não há qualquer possibilidade de alguém sair vivo", admitiu Amin Hussain, porta-voz da Fundação Edhi, a maior organização humanitária do país, que coordena os trabalhos de resgate.

Os trabalhos estão a ser conduzidos com extrema cautela devido à instabilidade da estrutura.

Segundo os serviços de emergência, o centro comercial Gul Plaza ficou gravemente fragilizado após suportar temperaturas extremas, o que obrigou a um longo processo de arrefecimento da fachada antes de permitir o acesso seguro aos andares superiores.

O complexo albergava cerca de 1.200 lojas, na sua maioria pequenos negócios que vendiam plásticos, vestuário e cosméticos.

As autoridades indicaram que muitos desses estabelecimentos não dispunham de saídas de emergência adequadas, o que transformou o edifício numa armadilha mortal para trabalhadores e clientes.

O incêndio junta-se a uma série de tragédias semelhantes no Paquistão, onde são frequentes as falhas na regulamentação da construção e problemas na cablagem elétrica.

Em julho de 2024, um incêndio destruiu cerca de 300 bancas num mercado em Islamabad e, um mês antes, as chamas consumiram outras 80 lojas ao longo da linha ferroviária em Peshawar.