Albuquerque duvida que AJJ aceite ser Representante
À margem da inauguração do reservatório de água de rega na Ponta do Sol, o chefe do Executivo madeirense reconheceu que Alberto João Jardim possui capacidade política para qualquer cargo, recordando o longo percurso e a obra realizada ao longo de vários anos à frente do Governo Regional. Ainda assim, considerou pouco provável que o antigo governante se sujeitasse a uma função com um grau de intervenção bastante diferente daquele a que esteve habituado.
“Quem fez o trabalho e a obra que ele fez tem capacidade política para tudo”, afirmou Albuquerque, acrescentando, no entanto, que o cargo de Representante da República exige hoje um perfil distinto, mais institucional e menos interventivo, o que levanta dúvidas quanto à disponibilidade ou interesse de Jardim para assumir essas funções.
O presidente do Governo Regional sublinhou que se trata de uma nomeação política, que exige não apenas reconhecimento técnico ou jurídico, mas sobretudo capacidade política e leitura do espaço público.
Nesse sentido, defendeu que não faz sentido nomear alguém apenas com currículo noutras áreas, como a magistratura ou a justiça, se depois não tiver capacidade de intervenção política e institucional.
Miguel Albuquerque reiterou que, independentemente de quem venha a ser escolhido, cada figura exercerá o cargo de acordo com o seu próprio modo de actuação, sem que isso belisque um princípio fundamental, na medida em que a Madeira continuará a manter uma relação institucional correcta e reivindicativa com os órgãos de soberania da República.
“A autonomia é uma grande conquista dos madeirenses, é uma conquista constitucional e nacional”, frisou, acrescentando que essa realidade exige sempre uma postura institucional responsável por parte da Região, independentemente das personalidades envolvidas.
Sobre o contexto político nacional e sobre eventuais apoios ou preferências, Albuquerque escusou-se a comentar opções pessoais ou partidárias, sublinhando que essas matérias não se confundem com a defesa dos interesses institucionais da Madeira no quadro do Estado português.