O Marítimo já tem praticamente garantida a subida à I Liga?
Com o Marítimo instalado na liderança da II Liga, começa a ganhar expressão a ideia de que a equipa madeirense tem o regresso à I Liga praticamente assegurado. A vantagem pontual e a consistência demonstrada ao longo da época alimentam o optimismo entre os adeptos.
A ideia de alcançar o objectivo maior começa a repetir-se, seja nas bancadas, nas redes sociais ou nos cafés da ilha, onde o burburinho é cada vez mais audível e há quem defenda que já nada separa o emblema verde-rubro da elite do futebol nacional.
À entrada para a 19.ª jornada, já em plena segunda volta do campeonato, o Marítimo soma 39 pontos, fruto de 12 vitórias, três empates e três derrotas, ocupando o primeiro lugar da classificação. O Académico de Viseu surge na segunda posição, com 32 pontos, a sete de distância.
O terceiro classificado é o Sporting B, com 29 pontos. No entanto, por se tratar de uma equipa B, não entra nas contas da promoção à I Liga, de acordo com os regulamentos em vigor. Assim, o perseguidor seguinte com impacto directo na luta pela subida é o Vizela, que ocupa o quarto lugar, com 27 pontos, ou seja, a uma distância de 12 pontos para formação madeirense.
Sobem directamente ao principal escalão os dois primeiros classificados, podendo ainda um terceiro emblema garantir a promoção através do play-off, frente ao 16.º classificado da I Liga.
No entanto, faltam ainda disputar 16 jornadas, o que corresponde a 48 pontos em jogo, mais do que os actualmente conquistados pelo líder do campeonato. Este dado, por si só, demonstra que o desfecho da luta pela subida está longe de estar fechado.
Aliás, a vantagem de 12 pontos para o Vizela (e a de sete para o Académico) são relevantes, mas não invulgares nesta fase da temporada, nem garantem estabilidade até ao fim. Como muitos amantes deste desporto sabem, o futebol é rico em surpresas e a II Liga tem sido, historicamente, um campeonato marcado pelo equilíbrio, por séries de resultados irregulares e por mudanças frequentes na tabela classificativa, sobretudo na segunda volta.
Com as devidas diferenças, um dos casos mais flagrantes em que o que parecia certo acabou por não se confirmar remonta à época de 2006/2007, quando o Rio Ave aparentava ter a subida praticamente garantida. A equipa vilacondense passou grande parte da temporada nos lugares de promoção e chegou à recta final com uma margem confortável sobre os adversários directos. Contudo, uma série de resultados negativos nas últimas jornadas acabou por comprometer esse objectivo. O Rio Ave perdeu pontos decisivos quando a pressão era maior e acabou por falhar a subida directa, num desfecho que surpreendeu muitos adeptos e analistas e que ficou como um aviso claro sobre a imprevisibilidade do campeonato.
Outro exemplo elucidativo vem precisamente do actual perseguidor do Marítimo. Na época 2017/2018, o Académico de Viseu protagonizou uma primeira volta de grande nível, liderando a II Liga durante várias jornadas e mantendo-se nos lugares de subida até muito perto do final da temporada. Porém, uma quebra na recta decisiva, que culminou numa derrota caseira na última jornada frente ao Santa Clara, então rival directo, afastou os viseenses da promoção, apesar de uma campanha globalmente positiva.
Por isso, embora o Marítimo esteja numa posição privilegiada e dependa apenas de si para alcançar a subida, é prematuro afirmar que a promoção está praticamente garantida. Com muitos pontos ainda em disputa, adversários directos atentos e exemplos recentes de reviravoltas na classificação, o cenário aconselha cautela. A subida é uma forte possibilidade, mas está longe de ser uma certeza nesta fase do campeonato.