"Enquanto uns levantam barreiras" os dois blocos fazem "pontes"
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, defendeu hoje que "enquanto uns levantam barreiras" a União Europeia e o Mercosul fazem "pontes" através do acordo comercial que está prestes a ser assinado.
"Enquanto uns levantam barreiras e outros violam as regras de concorrência leal, nós fazemos pontes e concordamos com as regras", sublinhou o ex-primeiro-ministro português, em Assunção, capital do Paraguai, perante os representantes do bloco do Mercosul.
António Costa afirmou que a União Europeia acredita "no comércio justo como força geradora de prosperidade, emprego e estabilidade".
Acordo é uma declaração de escolha do "comércio justo em vez de tarifas"
A presidente da Comissão Europeia afirmou hoje que o acordo comercial, prestes a ser assinado entre a União Europeia (UE) e o Mercosul, é uma declaração ao mundo da escolha do "comércio justo em vez de tarifas".
Em Assunção, capital do Paraguai, perante os representantes do bloco do Mercosul, Ursula von der Leyen enfatizou: "Isto é muito mais do que um acordo comercial".
A responsável europeia enalteceu ainda o facto de os líderes presentes estarem, neste momento, a fazer "história", após mais de 25 anos de negociações que, finalmente, cria "a maior zona de comércio livre do mundo, um mercado partilhado de 700 milhões de pessoas".
"Estamos a criar a maior zona de livre comércio do mundo, um mercado que representa quase 20% do PIB global", sublinhou.
"Reflete uma escolha clara e deliberada: escolhemos o comércio justo em vez das tarifas; escolhemos uma parceria de longo prazo em vez do isolamento e, acima de tudo, queremos oferecer benefícios reais e tangíveis às nossas sociedades e empresas", disse Von der Leyen.
A chefe da Comissão Europeia destacou que o tratado criará "a maior zona de livre comércio do mundo", com 720 milhões de pessoas e um peso económico de 22 biliões de dólares (19 biliões de euros).
"Este acordo eliminará tarifas e outras barreiras ao comércio, abrirá a contratação pública e proporcionará um quadro claro, baseado em normas, para incentivar o investimento e o intercâmbio comercial", declarou perante centenas de convidados num auditório.
Por outro lado, sublinhou a importância geopolítica do acordo, numa altura em que os Estados Unidos iniciaram uma guerra tarifária contra o mundo e tornaram públicas as suas ambições expansionistas com a Gronelândia.
"Estamos a criar uma plataforma para trabalhar juntos numa ampla gama de questões globais, incluindo uma reforma das instituições internacionais (...). Uniremos forças como nunca antes", afirmou Von der Leyen.
A cerimónia de assinatura do histórico acordo de livre-comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul começou hoje no Grande Teatro José Asunción Flores, em Assunção, no mesmo local onde, em 1991, foi criado o Mercosul.
O Presidente paraguaio, Santiago Peña, é o anfitrião do encontro, que também conta com a presença da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e do presidente do Conselho Europeu, António Costa, além de outros quatro líderes latino-americanos: Javier Milei (Argentina), Yamandú Orsi (Uruguai), Rodrigo Paz (Bolívia) e José Raúl Mulino (Panamá).
O Presidente brasileiro, Lula da Silva, é o principal ausente.
Depois dos discursos dos líderes, os responsáveis por assinar o acordo, negociado desde o ano 2000, serão os ministros dos Negócios Estrangeiros dos países do Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) e o comissário europeu de Comércio, Maros Sefcovic.
O aguardado acordo demorou mais de 25 anos de negociações e cria a maior zona de livre-comércio do mundo, num momento de crescente protecionismo global.
O acordo permitirá eliminar tarifas para 91% das exportações da UE para o Mercosul e para 92% das vendas sul-americanas para a Europa, abrindo um mercado conjunto de mais de 700 milhões de consumidores e que, juntos, representam um Produto Interno Bruto (PIB) de aproximadamente 22 biliões de dólares (19 biliões de euros), segundo dados da Comissão Europeia.