Líder do Hezbollah reafirma recusa de diálogo com Israel sob pressão dos EUA
O líder do grupo xiita libanês Hezbollah reiterou hoje a rejeição de negociações com Israel, condenando pressões dos Estados Unidos (EUA), e manifestou abertura para um diálogo interno no Líbano se Telavive respeitar o cessar-fogo em vigor.
"Não haverá substituição do acordo, nem a ocupação [Israel] será absolvida da sua responsabilidade através de um novo acordo. O pacto deve ser implementado, após o qual todas as vias para o diálogo interno sobre a força e a soberania do Líbano estarão abertas", afirmou Naim Qassem num comunicado transmitido pela televisão.
O líder do grupo político e militar apoiado pelo Irão condenou uma pressão exercida pelos EUA, que, segundo argumentou, tentam forçar o Líbano a fazer concessões a Israel sem qualquer compromisso ou garantia recíproca.
"As potências estrangeiras não têm qualquer papel nesta discussão", defendeu Qassem, reafirmando também a recusa do seu movimento em depor ou entregar as suas armas, num período de bombardeamentos israelitas quase diários, apesar da trégua em vigor há um ano.
"Somos nós que estamos a ser atacados e nos defendemos. Qualquer preço é inferior ao preço da rendição. Não nos ajoelharemos, permaneceremos de pé. Vocês já nos testaram antes e, se quiserem testar-nos novamente, não recuaremos", advertiu.
Naim Qassem dirigiu também críticas ao Governo libanês, comentando que o seu papel "não é acatar as ordens americanas".
O Hezbollah já tinha divulgado uma carta aberta na semana passada na qual rejeitava a possibilidade de o Líbano entrar em negociações com Israel, uma disponibilidade reiterada pelo Presidente libanês, Josef Aoun.
Tanto Israel como os Estados Unidos exigem o desarmamento do grupo xiita, um processo que está a ser conduzido pelas autoridades libanesas a um ritmo que consideram insuficiente.
Nas últimas semanas, Israel intensificou a sua campanha de bombardeamentos contra alegados membros e infraestruturas do Hezbollah, sob a justificação de violação do cessar-fogo por parte do grupo libanês.
Na segunda-feira, ocorreu uma série de ataques contra o sul do Líbano e o leste do Vale do Bekaa, após uma intensa vaga de bombardeamentos israelitas na passada quinta-feira.
O Governo norte-americano diz levar "muito sério" a sua determinação de "cortar o financiamento iraniano" ao Hezbollah, afirmou na segunda-feira o secretário-adjunto do Tesouro para o Terrorismo e Informações Financeiras, John Hurley, numa visita a Beirute.
Antes desta deslocação ao Médio Oriente, o Departamento do Tesouro (equivalente ao Ministério das Finanças) reforçou as sanções relacionadas com o Hezbollah, procurando interromper operações de branqueamento de capitais associadas ao financiamento do grupo libanês.
O Hezbollah integra o chamado eixo da resistência apoiado por Teerão e envolveu-se em hostilidades militares com Israel, logo após o início da guerra na Faixa de Gaza, em outubro de 2023, em apoio do aliado palestiniano Hamas.
Após quase um ano de troca de tiros ao longo da fronteira israelo-libanesa, Israel lançou uma forte campanha aérea no verão do ano passado, que decapitou a direção do movimento xiita, incluindo o seu líder histórico, Hassan Nasrallah, e vários outros responsáveis da hierarquia política e militar do Hezbollah.
A força da ONU no sul do Líbano (FINUL) termina o mandato em 2026, depois de quase cinco décadas no terreno.