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Fact Check Madeira

Estará a hotelaria a tirar melhor proveito do alojamento de turistas?

Foto Shutterstock
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Nos últimos dois anos, bateram-se recordes absolutos de proveitos no sector do Alojamento Local, com os preços por quarto a dispararem como nunca tinha acontecido. A Madeira tornou-se um destino mais caro para quem quer vir passar férias e a verdade é que os proveitos das dormidas provam isso.

Mas será que o peso dos proveitos do alojamento nunca foram tão altos como antes da pandemia? Sendo certo que 2020 e 2021 não servem de referência para comparação, pelo efeito disruptivo ocorrido em grande parte da economia regional, com impacto directo no sector do Turismo.

Depois da reabertura, ainda que com restrições, nunca mais a Madeira deixou de crescer em termos de hóspedes, dormidas, proveitos, rendimento por quarto disponível e no rendimento por quarto utilizado, resultando em proveitos recorde em 2022, em 2023 e, ainda que seja cedo demais, muito provavelmente em 2024.

Proveitos de aposento cresceram mais do que as dormidas em Janeiro

Proveito por quarto utilizado (ADR) no alojamento turístico da Região disparou quase 12% no primeiro mês de 2024

A dúvida surgiu precisamente esta semana quando foram divulgados os dados dos proveitos no alojamento turístico, o qual conclui-se que os proveitos totais cresceram 8,8% e os proveitos de aposento cresceram 8,9%. Por ser uma diferença muito curta, poderia ser que fosse uma ideia não ajustada à realidade. Por isso, fomos a contas.

Ora, fazendo essas contas, 2023 terminou com um peso dos proveitos de alojamento de quase 71%, superando o ano anterior que tinha pesado em quase 69% dos proveitos totais. O mesmo acontecera, aliás, em 2021, com um peso de quase 67,5%. Recuando até 1982, em nenhum ano há algo que se aproxime desses três últimos anos em termos de peso dos proveitos de alojamento para o total de proveitos. É mesmo nesse ano, há 41 anos que se encontra o valor mais baixo nesse requisito, 52,5%.

Mesmo comparando Janeiro deste ano com Janeiro dos anos anteriores (até 2008), nota-se claramente esta evolução nos primeiros meses dos últimos 17 anos.

E analisando os dados dos RevPAR e ADR dos últimos anos, conseguimos perceber onde e em que tipologia de alojamento estes proveitos têm sido mais representativos, ou seja, os hotéis.

O mais interessante é que, comparando com outras regiões portuguesas, o sector nem sequer está bem classificada.

Ou seja, actualmente (2023 e já em Janeiro de 2024), o peso dos proveitos de alojamento representam 70 euros em cada 100 euros de proveitos do sector do Alojamento Turístico. 

A Madeira tornou-se um destino mais caro para fazer férias e os proveitos das dormidas parecem provar isso, pois acompanham a par e passo a subida dos proveitos totais. O peso dos proveitos do alojamento nunca foram tão altos como os alcançados nos últimos 3 anos.