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Três grupos armados anunciam fusão no norte do Mali

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Três grupos armados do norte do Mali, que no passado combateram o Estado central, anunciaram hoje a fusão, num período de tensão com Bamaco.

Os três movimentos até então agrupados na Coordenação dos Movimentos Azawad (CMA), uma aliança de grupos predominantemente tuaregues com componente árabe, assinaram um documento de fusão durante uma cerimónia em Kidal, cidade do norte sob seu controlo.

As três organizações são o independentista Movimento Nacional para a Libertação de Azawad (MNLA), e os separatistas Alto Conselho para a Unidade de Azawad (HCUA, na sigla em francês) e o Movimento Árabe de Azawad (MAA).

As três organizações lutaram contra as autoridades centrais do Mali antes de assinar o chamado acordo de paz de Argel em 2015.

Os fundamentalistas islâmicos com quem desencadearam a insurreição em 2012 continuam a lutar e espalharam-se para o centro e os vizinhos Níger e Burkina Faso.

Os três grupos armados "decidiram fundir os movimentos que compõem o CMA numa única entidade político-militar", segundo um comunicado de uma página enviado à agência France-Presse (AFP) e autenticado pelos signatários.

As organizações signatárias invocam a "vontade das populações de Azawad [norte do Mali] de unir esforços para enfrentar todos os desafios".

Em dezembro, a CMA suspendeu a sua participação nos mecanismos de aplicação do acordo de paz de Argel, tal como quase todos os grupos armados signatários, invocando a "persistente falta de vontade política" da junta militar no poder.

No final de janeiro, anunciou também que se afastava da comissão responsável pela finalização do projeto da nova Constituição, elemento-chave do vasto projeto invocado pela junta militar para se manter até 2024 à frente do país, mergulhado numa profunda crise.

A CMA denuncia o "declínio" do acordo de paz de Argel e apela aos seus garantes internacionais para que "evitem uma rutura definitiva" entre as partes, além de requerer uma reunião em local neutro, com mediação internacional, para discutir a sua viabilidade.

O acordo assinado por estes ex-rebeldes em 2015 com grupos armados pró-governo e o Estado do Mali prevê mais autonomia local e a integração dos combatentes num exército dito "reconstituído", sob a autoridade do Estado, mas a execução continua incompleta.

Mali tem sido atormentado desde 2012 pela propagação do extremismo islâmico e uma grave crise de segurança, política e humanitária.

Os coronéis que tomaram o poder no Mali pela força em 2020 pressionaram pela rutura da aliança militar com a França e seus parceiros em 2022 e optaram por se voltar para a Rússia.