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Crónicas

Falta de líderes

É incrível no que o mundo se transformou em menos de dois anos. As guerras que se vão alastrando um pouco por toda a parte e a ameaça do estender dos conflitos para uma contenda global fazem destes tempos, tempos estranhos e perigosos. É por isso que viver em segurança se tornou um autêntico luxo. Tudo isto, não é mais do que o reflexo da transformação da nossa sociedade, da ausência de valores, do respeito que se vai perdendo pela vida humana e pelos outros, do egoísmo que prolifera e da falta de empatia. Curioso que numa época em que tanto se fala de energias, de retiros e programações neuro linguísticas estejamos cada vez mais instáveis, que com tantas ferramentas de comunicação ao nosso dispor tenhamos cada vez mais dificuldade em estabelecer relações e entendimentos e que se vá perdendo o sentido do bem comum em prol do que é mais importante para nós individualmente, num determinado momento.

A verdade é que nos faltam cada vez mais referências, pessoas que pelas suas atitudes e formas de estar nos consigam guiar através do exemplo. Basta um olhar minimamente atento para a política global, para entendermos que não existe quem marque a diferença e vamo-nos perdendo em conceitos supostamente inovadores para deixarmos de lado a ética e a responsabilidade. Faz-se de tudo um pouco para se ganhar, para passar por cima e não se olha a meios para atingir determinados fins. Não admira por isso que os extremismos e o terrorismo cresçam de forma galopante. Como é que os povos se podem entender quando quem supostamente os devia guiar através de consensos e posturas ponderadas toma atitudes radicais, sem o mínimo de noção das consequências? Como é que se pode almejar a uma estabilidade duradoura quando são os que deveriam ser mais conscientes, que nos arrastam para situações dramáticas, sem qualquer tipo de receio de derramar sangue e de dilacerar vidas?

É estranho olhar para os diversos conflitos existentes ao dia de hoje e ninguém ter a capacidade de apresentar soluções e pior, de não se conseguir vislumbrar uma saída que proteja as pessoas. É uma desgraça ver o circo que está montado em que cada um berra mais alto do que o outro e ninguém pára para ouvir. Todos querem aparecer, cada um manda a sua acha para a fogueira, basta ligar todos os dias a televisão e ouvir as palavras de muitos chefes de estado e pessoas com altos cargos públicos sem o mínimo de noção do prejuízo que infligem aos que neles apostaram e em quem deveriam confiar. É por isso que muitos deixaram de acreditar. É um horizonte feito de nada. E assim vamos caminhando alegremente para uma nova corrida mundial ao armamento e para um retrocesso civilizacional que nos retirará a quase todos a tranquilidade a paz e a segurança, condições essenciais para termos mais qualidade de vida e para que nos possamos focar no que realmente nos devia mover. As experiências, os afetos e a busca da nossa felicidade e dos que nos rodeiam.

Não sei como isto irá acabar, ninguém por certo saberá. Mas que se avizinham tempos difíceis disso parecem já não haver dúvidas. Perderam-se as grandes figuras, os grandes estadistas e as pessoas que se moviam por convicções estão em vias de extinção. Falta-nos gente inspiradora que tenha a capacidade e a coragem de nos fazer acreditar.