Madeira

“Um dos maiores perigos à democracia e à ideia liberal de uma comunidade de povos é a actual Rússia”

Pedro Coelho na abertura das Conferências do Atlântico

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Foto Miguel Espada/Aspress

Porque hoje “está novamente latente a ‘ameaça’ à tradição ocidental de Liberdade, de Pluralismo e de resistência aos inimigos da sociedade que tanto inquietou Winston Churchill”, o presidente da Câmara Municipal de Câmara de Lobos, Pedro Coelho, alerta para “o perigo” daqueles “que ocupam um espaço designado como pertencendo ao ‘Lado errado da história’”.

Disse-o no abertura das Conferências do Atlântico, a ocorrer hoje e amanhã no Museu de Imprensa da Madeira, em Câmara de Lobos, numa iniciativa conjunta da Presidência do Governo Regional da Madeira, da Câmara Municipal de Câmara de Lobos e do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa.

O autarca câmara-lobense justifica a preocupação “porque nos últimos tempos proliferam ensaios de instituições de ditaduras absolutas ou de democracias iliberais, assentes em princípios que rotulam de traidores toda e qualquer oposição, que inquinam a independência do sistema judiciário, e que castram a liberdade de imprensa, princípios basilares da democracia”, sublinhou.

Alerta por isso que “o ressurgimento de movimentos de extrema-direita, de extrema-esquerda radical, bem como de populismos, na Europa e noutras latitudes planetárias, são uma perigosa ameaça à democracia liberal, tal como a conhecemos”.

Na opinião de Pedro Coelho, “um dos maiores perigos à democracia e à ideia liberal de uma comunidade de povos, é a actual Rússia, que, de forma ilusória, quer impor um modelo pseudo-alternativo à democracia liberal”.

Conclui que “face a este cenário negro, e apesar de estarmos mais unidos que nunca, a verdadw é que os desafios que temos pela frente são diversos e complexos, pelo que trazer a democracia, a este debate é fundamental, e estarmos aqui pode e deve ser visto como uma oportunidade que não podemos desperdiçar”.

Porque as Conferências do Atlântico, a decorrer no Museu de Imprensa, em Câmara de Lobos, enquadram-se no contexto da celebração da visita de Winston Churchill à Madeira, em 1950, Pedro Coelho questionou: “porquê em Câmara de Lobos, quando hospedado no Hotel Reids tinha, de uma das suas varandas, uma vista magnífica e um esplendoroso mar à sua frente?”. A resposta foi parafrasear Churchill “que um dia disse, e passo a citar: “As cores são lindas de se ver e deliciosas de se espremer”. Pedro Coelho acredita “que as cores do casario do Ilhéu, a nossa baía que ‘abraça’ o mar, a azáfama dos nossos pescadores e as cores típicas dos barcos de madeira, eram a tela no local ideal”, justificou, ao recordar que na altura, em Janeiro de 1950, “o fotógrafo Raúl Perestrelo imortalizou o momento”, referindo-se à foto de Winston Churchill a pintar a baía do miradouro que hoje tem baptizado o seu nome.