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O que é Autonomia?

Autonomia é um termo de origem grega, cujo significado está relacionado com independência, liberdade ou autossuficiência.

Em Ciência Política, a Autonomia de um Governo ou de uma Região, pressupõe a elaboração das suas próprias leis e regras, sem interferência de um Governo central nas tomadas de decisão.

Aqui chegados, devo dizer:

• Como madeirense, não gosto da Autonomia que temos.

• Por feitio e forma de estar, dei comigo a pensar, algumas vezes, ao longo da minha vida se não estaríamos todos melhor, nós e os portugueses, se a Madeira fosse independente.

Não sou o único, pelo menos e também o nosso Presidente do Governo Dr. Miguel Albuquerque, já se tem questionado e com certeza com razões, muito mais justas e objectivas que as minhas. Já o disse publicamente!

Alguns, questionarão o meu patriotismo e eu compreendo; mas, devo informar que acerca disso tenho, hoje, uma visão um pouco distorcida da coisa, embora bastante pragmática.

Passo a explicar: - Até aos meus 21 anos, fui educado, tal como a restante população portuguesa que a Pátria era constituída por Portugal Continental, Ilhas Adjacentes e Províncias Ultramarinas. Nessa altura, em que o meu “patriotismo” estava no auge..., fui mobilizado para a Guiné e lá fui convicto, como tantos outros que íamos “defender a Pátria”. Alguns, acreditando nisso, morreram lá.

A mim e a outros, que regressámos, “coube-nos”, também, “reconverter” o nosso pensamento, “alterar” as nossas convicções e entregar esse território, que afinal, era “deles” e não nosso e voltar para casa, com um misto de sensações difíceis de explicar e descrever, abandonando e “voltando as costas” a muitos, que se sentiam “tão” portugueses como nós, alguns, quiçá mais e que tinham combatido ao nosso lado e que acabaram mortos, sozinhos…! Ainda hoje, magoa-me e envergonha-me pensar nisso! Página “negra” da nossa História!

Hoje, temos um cartão de plástico de ex-combatentes que nos dá “o direito” de andar de autocarro, sem pagar e de isenção de pagamento de taxas moderadoras nos Hospitais…Felizmente, não quero nem preciso!

Agora, até morrer, ninguém, me retirará o direito de pensar o que me parecer melhor, para “a minha terra”, ainda por cima tendo “um pequeno defeito” de gostar muito, de pensar pela minha cabeça.

Depois desta introdução, vamos ao que verdadeiramente interessa.

A Autonomia que os Açores e a Madeira têm hoje, foi muito conquistada, em consequência dos movimentos independentistas da FLA e da FLAMA, goste-se ou não, isto é histórico e factual. A abertura para “negociar” iniciou-se e acentuou-se aí...É perguntar por exemplo ao Dr. Alberto João e aos que ainda, cá se encontram desse tempo e dessas lutas.

Veja-se a Guiné, Cabo Verde, Angola, Moçambique, etc., com o PAIGC, MPLA e UNITA e a FRELIMO, a sua luta política, além da guerra, só para dar alguns exemplos. A própria “descolonização exemplar” foi “acelerada” com algumas operações estratégicas no terreno e com a ajuda e colaboração, de alguns indivíduos de má índole e sem categoria. Que ninguém tenha dúvidas!

Quem detém o poder, não quer perdê-lo e o que é dado de “graça”, acaba por não ser valorizado.

Hoje, tenho consciência, que a maioria do Povo madeirense quer e deseja ser português.

Aceito isso e de alguma forma e em alguns momentos, estou de acordo com essa opção, sem dúvida, para mim é pacífico.

Agora, acredito firmemente que, “merecemos”, outro tipo de Autonomia que nos permita lutar, por um futuro melhor para os nossos filhos e netos.

Infelizmente, não posso, nem quero abusar do espaço “a que tenho direito” e por isso não vou abordar “tecnicamente” as possibilidades, limito-me a desafiar a vossa curiosidade e capacidade de pensar, sabendo que existem tantos espaços, como Malta e outros, mesmo na Europa, que encontraram as “ferramentas” para isso. Hoje, está tudo inventado e quem não sabe, contrata os profissionais que podem dar suporte a uma “estratégia” para um Processo de negociação, que terá de assentar numa visão e planeamento novos e actualizados, que passa fundamentalmente:

1. Como sermos autónomos ou independentes financeiramente.

2. Negociação de modelo de autonomia win-win e de respeito entre as partes, sem estar sujeito à visão clubística e aos humores dos políticos de cá e de lá.

3. Contratualização do modelo, implementação do mesmo e respectiva monitorização.

O mundo mudou, hoje, a dialéctica “do contencioso das Autonomias”, é quase tão eficaz, como perguntar à estátua do João Gonçalves Zarco, que horas são e ficar à espera da resposta..., se calhar é melhor andar um pouco mais e ver no relógio da Sé... Chama-se a isto ver mais longe!

Termino com uma estória para “alegrar” isto...

Na Idade Média e numa fase de grande desenvolvimento, as grandes obras eram construídas, muito à base de madeira. A figura e profissão de lenhador ganhou enorme preponderância.

Um dia numa obra, haviam filas intermináveis de lenhadores, homens enormes, equipados com grandes machados e que pretendiam se inscrever, para “negociar” uma hipotética contratação. Eis que aparece, um homenzinho minúsculo com um machadinho pequeno às costas e que se colocou no seu lugar na fila; sempre que chegava a sua vez de ser atendido, ignoravam-no e diziam-lhe para ir lá para trás.

No final do dia e como se mantinha, de forma estóica e aprumada, à espera para ser atendido, o capataz geral perguntou-lhe o que pretendia? Respondeu-lhe que se queria inscrever para ser contratado como lenhador. O homem incrédulo disse-lhe, mas, onde é que já exerceu a profissão e cortou árvores? O homenzinho afirmou convicto: - No deserto do Saara. Diz-lhe o capataz com ar superior e trocista - no deserto do Saara nem sequer há árvores..., responde-lhe o pequenino... AGORA...!

Foi contratado!

Como dizia J.F. Kennedy e cito...”Vamos negociar sem medo, mas não tenhamos medo de negociar”!

P.S. Para que se percebam as minhas razões expressas atrás, deixo 2 pequenos exemplos:

1. Será que só me incomoda a mim, que alguns indivíduos no retângulo levem anos, disse bem anos, e depois de muitas comissões e estudos, para decidir a aquisição de alguns equipamentos que melhorem a segurança e operacionalidade do nosso aeroporto, entretanto pondo em causa e em risco o Turismo da Madeira?

2. Parece-vos sério e normal em termos de Autonomia, que para a elaboração do caderno de encargos para o concurso público para atribuição da linha aérea do Porto Santo, não se tenha minimamente em conta as recomendações das Autoridades do Arquipélago?

Satisfaz-vos esta Autonomia? A mim não!