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Criar (o) futuro (XI)

Mais do que janeiro, nos últimos tempos, considero setembro o mês de (re)começos.

Sobretudo para quem tem filhos em idade escolar, o início do ano letivo transfigura a realidade quotidiana, com um novo desenho das horas, compromissos, ritmos e até novas perspetivas do futuro que se faz presente.

Num horizonte que se apresenta sombrio para muitas famílias, fruto da crise social agudizada pela guerra na Ucrânia, os resquícios ainda notórios da pandemia, os custos da energia e a galopante inflação, com consequentes efeitos perniciosos no caminho para uma sociedade socialmente inclusiva, há que reforçar as medidas estruturais e estruturantes que permitam dar uma resposta duradoura e eficaz aos cidadãos.

E a resposta, para além dos apoios sociais necessários como solução emergencial, tem de ser no investimento na Educação e Formação, para reforçar as competências das pessoas e apoiar a sua participação na sociedade e no mercado de trabalho.

Num país em que ainda persiste uma fraca mobilidade social, os sistemas de Educação e Formação devem ser instrumentos de apoio à mobilidade social ascendente, com o firme propósito de interromper, e não reforçar, as vulnerabilidades sociais, contribuindo para a transformação económica, social, política e cultural dos indivíduos.

Como filha de uma professora do agora denominado 1.º ciclo, que durante muitos anos deu aulas, nomeadamente em São Vicente e no Funchal (Canto do Muro), sei bem quão nobre, mas desafiante e exigente, é a missão de ensinar e formar gerações, mas sobretudo o poder transformador e positivo que a Educação tem na vida das pessoas.

Não há verdadeiro nem eficaz combate à pobreza e à exclusão social se não se assumir como desígnio nacional, regional e local a melhoria da qualidade e eficácia da Educação e Formação, pois sabemos do impacto direto que têm no que as pessoas podem ser e fazer. Além do notório contributo da Educação para o reforço da igualdade, coesão social e cidadania.

E quando se fala de Educação, é preciso um olhar atento para a Educação de adultos. Neste sentido, a Sociohabitafunchal, E.M., empresa da Câmara Municipal do Funchal, assume o investimento no capital humano e a inclusão ativa dos seus inquilinos como pilares fundamentais para uma economia sustentável, eficiente e competitiva e uma sociedade mais justa. Assim, entre vários outros projetos, desenvolve, em articulação com entidades parceiras, os cursos de Educação e Formação de Adultos (EFA). No âmbito do Projeto “A Escola vai ao Bairro” do Centro [email protected] e no Centro Comunitário de São Gonçalo, temos 13 formandos a efetuarem equivalência ao 9.º ano, e no Atelier de Artes Plásticas da Quinta Falcão, temos 15 formandos a se prepararem para a equivalência ao 12.º ano.

Na Região e no município do Funchal, verificamos importantes desenvolvimentos ao nível das políticas de Educação, mas, perante desafios dinâmicos, é necessário o contínuo investimento e financiamento inteligentes e inovadores a fim de poderem corresponder ainda melhor às exigências atuais e futuras. Trata-se de um desiderato que nos deve mover a todos, num percurso conducente à crescente modernização das políticas de Educação e Formação, de modo a responder aos novos desafios e construir um futuro prometedor e próspero.

Neste ano letivo 2022/2023, desejo às crianças, jovens e adultos, e aos professores, votos dos maiores sucessos e felicidades!