Eleições Autárquicas Madeira

Gaula reclama da água de rega e do padre da Achada

Na 'Volta à Ilha' de hoje, conheça a freguesia dos Gaula, no concelho de Santa Cruz. Os gauleses inquiridos dizem-se satisfeitos com a qualidade de vida que a freguesia oferece. Só os agricultores e os fiéis apresentam queixas.

None

Os gauleses queixam-se sobretudo da crónica falta de água para regadio e do ‘novo’ padre que há um ano assumiu a paróquia da Achada de Gaula. Estas são, aparentemente, as maiores ‘dores de cabeça’ dos residentes na freguesia de Gaula. Com a particularidade da falta de água de rega afectar essencialmente os agricultores com propriedades na parte baixa da freguesia, enquanto o desagrado com o ‘mandato’ do padre é manifestado pelos residentes na parte mais alta, os paroquiados afectos à igreja da Achada de Gaula.

De resto, a comunidade local não se queixa das condições que a freguesia santa-cruzense oferece.

“Vive-se apertados, mas vive-se. Vai-se resolvendo uma coisa de cada vez. Não se pode fazer tudo num dia”, atira Manuel ‘Batata’, morador no Pico Norte, a parte mais alta da freguesia.

Manuel Jardim, um funchalense natural da freguesia do Monte, mas com residência na Achada da Rocha, concretiza o sentimento comum: “Graças a Deus aqui vive-se bem”. “Para quem gosta de trabalhar e tem um bocadinho de terra, aqui vive-se sem razões de queixa”.

Admite, no entanto, que “há muitos agricultores que dizem mal” por causa dos problemas recorrentes da falta de água para regadio.

“Na zona onde eu faço a minha agricultura não há falta de água, mas há uma zona, que é a parte de baixo, todo o mundo reclama água”.

Embora reconheça que o problema é agravado pela “falta de cuidado na reparação das levadas de rega”, critica quem tem responsabilidades na gestão do regadio perante "a distribuição mal feita das águas”. Diz mesmo que “agora está pior. Agora com a IGA [ARM] é uma desgraça”, considera.

Manuel ‘Batata’ reforça os reparos. “As regadeiras por aí abaixo estão todas rôtas. O IGA não arranja”, acusa.

À parte da água, só o pároco da Achada merece também fortes reparos.

“’Tá-se’ mal é com o senhor padre. Foi a pior desgraça que veio para aqui para Gaula foi este padre. Os paroquianos estão descontentes com o padre” afirma Jardim. ‘Batata’ complementa: “Estava tudo bom, só que mudaram o padre e a freguesia mudou. Ficou do avesso”.

Um outro gaulês que assiste à conversa, lembra que “a toalha ainda não apareceu” denunciando desta forma uma das razões para o mal-estar instalado. Jardim esclarece que se trata de uma toalha em Bordado Madeira estimada em cerca de 2 mil euros que “desapareceu” já depois do actual pároco tomar conta da igreja da Achada de Gaula.

Ainda assim, dá nota que o padre teve sorte no Espírito Santo.

“As pessoas aderiram com um bocadinho de dinheiro porque o povo aqui tem um certo respeito com a igreja”. “Apesar do padre… não prestar para nada”, ouve alguém retorquir.

“Este [padre] veio comer o que o outro deixou”, atira ‘Batata’.

O afastamento dos paroquianos da igreja tem sido notório. Jardim, que faz questão de todas as semanas ir à missa, normalmente ao sábado, diz que “se antes enchia meia igreja, agora, há dias, contei 11 (fiéis). E durante a semana somente ‘meia-dúzia’ sendo que ao domingo a igreja nunca mais encheu.  

Mais abaixo, junto à Junta de Freguesia e Centro de Saúde, apesar da dificuldade na locomoção, José Luís Lobo só tem elogios para a qualidade de vida que a sua oferece. “Uma maravilha. Nada a apontar”. O único reparo é a inexistência de supermercado em Santa Cruz para as pessoas não terem de fazer grandes deslocações.

“Devia ter um supermercado em Santa Cruz. Tem no Caniço e em Água de Pena, mas isso já obriga as pessoas a terem de ir longe”, concluiu.

Maria é da mesma opinião. “Temos aqui tudo o que é essencial. Pudera todas as freguesias terem as condições que Gaula tem”, rematou a mulher, residente nas proximidades da igreja paroquial de Gaula.