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Imprensa destaca vitória contra extrema-direita e alívio para a Europa

Emmanuel Macron arrebatou a maioria dos votos na segunda volta das Presidenciais francesas sobre Marine Le Pen

Foto REUTERS/Christian Hartmann
Foto REUTERS/Christian Hartmann

A imprensa francesa e internacional destaca hoje a eleição do candidato centrista Emmanuel Macron para a presidência de França, como uma vitória contra o populismo e um alívio para a Europa, e a elevada abstenção.

Em França, o jornal Le Monde enumerou várias “razões para relativizar esse sucesso”, dado que “uma grande parte dos franceses não votou por um candidato, mas contra a extrema-direita”, e destaca o nível recorde de abstenção e de votos brancos e nulos.

Emmanuel Macron vai ser “o Presidente cuja legitimidade saída das urnas será, provavelmente, mais rapidamente colocada em causa”, escreveu o diário.

O jornal de esquerda Libération escreveu “bem jogado” a acompanhar uma fotografia de Macron que ocupa toda a primeira página.

Ainda assim, o diário referiu tratar-se de uma “vitória sob pressão”, porque “a forte abstenção, apesar da ameaça da Frente Nacional, é por si só um sinal de uma insatisfação em relação ao novo Presidente”.

Já o diário Le Figaro, de direita, antecipou legislativas difíceis para o novo Presidente “já privado de estado de graça”, perante uma eleição marcada pela maior taxa de abstenção desde 1969 (25,38%) e uma dispersão do eleitorado.

O económico liberal Les Echos saudou Macron como “a escolha da esperança”, falando de um “novo rosto da França, jovem, audaz, triunfante”.

Para o jornal comunista L’Humanité, “um novo combate começa” para “contestar as políticas liberais anunciadas pelo novo chefe de Estado” eleito.

Em Espanha, o El País escreveu em manchete “França derrota o radicalismo”, e que “disse não ao populismo e a Europa respirou de alívio”, destacando ainda que “depois do Brexit [saída do Reino Unido da UE] e de [Donald] Trump não haverá [Marine] Le Pen”.

Na primeira página, o La Vanguardia afirmou “França vota sim à Europa”.

Na Alemanha, o diário conservador Frankfurter Allgemeine, escreveu que “a Europa evitou o pesadelo”.

“O impensável foi evitado: a França não vai ser dirigida por uma mulher de extrema-direita. A vitória líquida de Emmanuel Macron dá confiança, mas a Europa não deve, no entanto, ter ilusões”, destacou o jornal.

O jornal de esquerda Tageszeitung também assinalou que “a vitória líquida de Emmanuel Macron é um enorme alívio para a França”.

No Reino Unido, o The Guardian publicou um editorial com o título “Boa sorte, senhor Macron. Vai precisar dela”, destacando ainda o nível recorde de votos obtidos pela extrema-direita.

“Qualquer outro resultado teria sido uma catástrofe europeia e por uma vez, felizmente, as sondagens tinham razão”, acrescentou.

Na Rússia, o jornal Vedomosti disse que os franceses optaram pelo “candidato que representa os princípios essenciais da V República: o governo por uma elite qualificada e o compromisso com a integração europeia”.

Nos Estados Unidos, o New York Times viu a vitória de Macron como um “grande alívio para a Europa”, mas advertiu que o Presidente eleito enfrenta “consideráveis desafios”.

Macron vai liderar “uma nação profundamente dividida, como os Estados Unidos, Reino Unido e outras grandes democracias”, considerou.

O diário norte-americano observou que os resultados obtidos pela candidata da extrema-direita, Marine Le Pen, na segunda volta das presidenciais, mostram “o desespero daqueles que ela chamada de esquecidos”.

Confrontos dispersos em Paris e Nantes