Linha de comunicação entre EUA e Rússia foi accionada antes de bombardeamento na Síria
A linha de comunicação entre os Estados Unidos e a Rússia utilizada para proteger os pilotos de ambos os lados na guerra da Síria foi acionada antes do ataque norte-americano à base aérea síria de Shayrat.
A chamada “linha de não-conflito” (”deconfliction line”, na denominação em inglês) é operada pelo comando central das forças armadas norte-americanas na base aérea de al-Udeid, no Qatar e serve como uma ligação crucial que impede a colisão dos aviões russos e norte-americanos no congestionado espaço aéreo sírio ou um ataque direto entre as duas potências.
De acordo com o porta-voz do Pentágono, capitão Jeff Davis, citado pela agência Associated Press, “os estrategos militares norte-americanos tomaram precauções para minimizar o risco para o pessoal russo ou sírio estacionado na base aérea” bombardeada, situada na província síria de Homs.
De acordo com o governador de Homs, morreram cinco pessoas no bombardeamento norte-americano, vítimas de um ataque com 59 mísseis norte-americanos contra a base aérea de Shayrat, associada ao programa sírio de armas químicas e “ligada” aos acontecimentos da passada terça-feira, em que, pelo menos, 86 pessoas morreram na localidade Khan Cheikhun, no noroeste da Síria, vítimas de ataques aéreos sírios com bombas químicas.
Também o secretário-geral da Aliança Atlântica, Jens Stoltenberg, indicou hoje que foi informado previamente do ataque norte-americano, e escusou-se a fazer quaisquer comentários relativos ao mesmo.
“Podemos confirmar que o secretário-geral da NATO foi informado pelo secretário norte-americano da Defesa antes dos bombardeamentos”, indicou o gabinete de Jens Stoltenberg, citado pela AP.
De igual modo, o Governo britânico informou também que foi informado previamente do ataque e manifestou apoio firme à decisão unilateral dos Estados Unidos.
O gabinete da primeira-ministra Theresa May fez saber que a chefe do Governo britânico considera que esta foi “uma resposta apropriada ao ataque bárbaro com armas químicas lançado pelo regime sírio, e tem o objetivo de prevenir outros ataques”. Este foi o primeiro ataque direto dos Estados Unidos contra o regime de Bashar al-Assad desde que começou a guerra civil síria, há cerca de seis anos.
A ofensiva ordenada pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, de forma unilateral, aconteceu apesar de conversações sobre a resposta mais adequada ao ataque químico estarem ainda a decorrer no Conselho de Segurança da ONU.
Num breve discurso transmitido pela televisão depois do ataque, Trump pediu a todas as “nações civilizadas” que travem o banho de sangue na Síria e acusou “o ditador sírio Bashar al-Assad (de ter) lançado um horrível ataque com armas químicas contra civis inocentes (...) ao utilizar um agente neurotóxico mortal”.
O Presidente disse ser “do interesse vital da segurança nacional dos Estados Unidos prevenir e impedir a proliferação e utilização de armas químicas”.
Logo após o ataque ser anunciado, o secretário de Estado norte-americano, Rex Tillerson, disse que a Rússia “falhou na sua responsabilidade” de cumprir um acordo de 2013, que ajudou a fechar, para destruir o arsenal de armas químicas da Síria.