Mundo

Trump informa Parlamento dos Estados Unidos sobre ataque a base aérea

REUTERS/Hannah McKay
REUTERS/Hannah McKay

O Presidente norte-americano, Donald Trump, escreveu hoje aos líderes das duas câmaras do Parlamento dos Estados Unidos para os informar sobre o último ataque a uma base aérea síria e alertá-los para a possibilidade de novas ações.

Fortemente criticado por não ter consultado o Congresso antes de lançar o ataque na Síria, Trump escreveu que agiu em defesa dos “interesses vitais da segurança nacional e da política estrangeira dos Estados Unidos, em conformidade com a [sua] autoridade constitucional para conduzir operações internacionais enquanto comandante-chefe” das forças armadas dos Estados Unidos.

“Os Estados Unidos empreenderão ações suplementares, se necessário e de maneira apropriada, para continuar a defender os importantes interesses nacionais”, escreveu ainda o chefe de Estado norte-americano aos líderes da Câmara dos Representes e do Senado.

O Presidente norte-americano detalhou na missiva que ordenou o ataque contra a base aérea de Shayrat pelas 20:40, hora de Washington (01:40 de sexta-feira em Portugal).

“Os serviços de informações norte-americanos indicaram que as forças militares sírias a operar naquela base tinham sido responsáveis pelo ataque químico contra civis sírios na província de Idleb no passado dia 4 de abril”, escreveu Trump.

“Ordenei esta ação para degradar a capacidade da força aérea síria levar a cabo outros ataques com armas químicas e dissuadir o regime sírio de utilizar ou desenvolver armas químicas”, continuou o chefe de Estado, considerando ter ajudado a “melhorar a estabilidade da região” e a evitar que a situação humanitária se degrade ainda mais.

As duas câmaras do Parlamento norte-americano estão nas mãos do Partido Republicano, que conduziu Donald Trump à Casa Branca, mas foram vários os parlamentares que criticaram a falta de comunicação entre a presidência e os eleitos pelo povo antes do ataque, sublinhando que Trump teria que ter pedido a autorização do Congresso -- ou, pelo menos, o seu parecer - antes de dar essa ordem.

Os Estados Unidos lançaram na madrugada de sexta-feira um ataque com 59 mísseis de cruzeiro contra a base aérea de Shayrat, de onde terão partido os aviões envolvidos no ataque com armas químicas que na passada terça-feira mataram pelo menos 86 pessoas em Khan Sheikhun, no noroeste do país.

O bombardeamento de terça-feira foi assumido pelas autoridades sírias que, no entanto, negaram ter usado armas químicas.

Na versão do regime de Bashar al-Assad, o ataque atingiu um depósito de armas químicas da Frente Al-Nosra, contrabandeadas para a província de Idleb a partir da fronteira com o Iraque e a Turquia, e que foram escondidas em zonas residenciais da zona.