Polícia venezuelana procura através do Twitter opositores que diz serem “geradores de violência”
A polícia venezuelana publicou hoje na rede social Twitter várias fotos de cidadãos, sem indicar os seus nomes, que acusa de serem “geradores de violência” em marchas opositoras, solicitando informações anónimas sobre os mesmos.
Esta iniciativa da polícia venezuelana está a ser questionada por várias organizações não governamentais e ativistas dos direitos humanos.
“Com o fim de garantir a paz de Venezuela, se tiver informação sobre este gerador de violência notifique de maneira anónima o 0800CICPC24”, diz a mensagem divulgada na conta do Twitter do Corpo de Investigações Científicas, Penais e Criminalísticas (CICP, antiga Polícia Técnica Judiciária).
A mensagem é acompanhada de, pelo menos, sete fotos de homens e mulheres, um dos quais aparece com uma pequena câmara de vídeo na mão, que teriam participados em protestos contra o Supremo Tribunal de Justiça.
A campanha está a ser questionada por várias organizações não governamentais, entre elas a Provea, que responsabilizou o CICPC sobre o que possa vir a acontecer aos cidadãos fotografados.
“Põe-se em perigo a vida destas pessoas, porque poderia gerar-se uma incitação ao ódio. Tentam que todas as pessoas sejam delatoras (informantes) e que qualquer [cidadão] de forma anónima faça uma denúncia e depois isso constitui uma prova para um processo penal, contradizendo a nossa Constituição e leis”, disse o diretor da Provea aos jornalistas.
Segundo Inti Rodríguez, estas publicações “consolidam o Estado policial iniciado com a figura do patriota cooperante (simpatizante da revolução)”, que em 2014 foi usado para perseguir manifestantes e que, segundo aquele responsável, agora faz parte do plano de segurança governamental.
“Não esqueceremos que esta campanha de ódio contra ativistas e manifestantes começou desde a conta oficial de um órgão do Governo”, lê-se num Twitt divulgado recentemente pela Provea.
Entretanto, através do Twitter, começaram a surgir mensagens de ativistas dos direitos humanos pedindo à população que denuncie, através dessa aplicação, os “sapos” (informantes, patriotas cooperantes) que “promovem ódio contra ativistas e manifestantes”.
Há ainda mensagens a oferecer ajuda às pessoas que são procuradas pelo CICPC.
Na Venezuela há pelo menos três luso-descendentes que são apontados pelas ONGs e pelos próprios familiares como “presos políticos”, entre eles o engenheiro eletrónico Dany Abreu, que foi detido a 17 de agosto de 2015.
Segundo a mãe, Isabel Abreu, o filho “está acusado de terrorismo porque uma pessoa a que chamam ‘patriota cooperante’ disse ter ouvido que alegadamente ele teria um plano para matar a filha de Diosdado Cabello, que (em 2015) era presidente da Assembleia Nacional”.
O julgamento, que começou a 14 de dezembro de 2016, tem sido marcado por sucessivos adiamentos.