Independência “suspensa” à espera de “diálogo” diz a imprensa espanhola

11 Out 2017 / 10:03 H.

As primeiras páginas dos jornais espanhóis de hoje dão conta da sessão “histórica” de terça-feira do parlamento catalão com o chefe do executivo regional a deixar “em suspenso” a desejada independência para fazer uma derradeira “oferta de diálogo”.

Em Madrid, o diário El País titula que a “Histórica sessão do parlamento [regional] para consumar a secessão” acaba por anunciar a “Independência a prazo que prolonga o caos na Catalunha”.

Mais abaixo, o jornal escreve que o chefe do Governo catalão “Puigdemont diz suspender a ruptura para conseguir um suposto diálogo” e acrescenta que o “Governo [de Madrid] considera inadmissível a declaração do presidente” catalão.

O jornal informa ainda na primeira página que “a extrema-esquerda separatista [CUP -- Candidatura de Unidade Popular] estima insuficiente a declaração” de independência.

O jornal El Mundo, também editado em Madrid, escreve em grandes letras na primeira página que a declaração feita na terça-feira no parlamento regional foi uma “Farsa e chantagem”, com “Os deputados separatistas a assinarem uma declaração de independência horas depois de Puigdemont ter anunciado que esta estava suspensa, para iniciar negociações”.

“A CUP diz que [a declaração] não tem qualquer validade e abandona o parlamento até que sejam dados passos a favor da rutura” é outra chamada de primeira página, ao lado de “Rajoy negoceia a resposta com Sánchez [PSOE]e Rivera [Cidadãos]”.

Por seu lado o catalão La Vanguardia afirma que “Puigdemont suspende a independência depois de a ter anunciado”, numa manobra em que “o presidente [da Catalunha] tenta ganhar umas semanas de tempo com uma oferta de diálogo” e “A CUP força os deputados do Juntos pelo Sim [coligação de separatistas de direita e esquerda] a assinarem um texto onde se cria a República catalã”.

Mais abaixo, o diário informa que “Rajoy decide hoje em Conselho de Ministros se aplica o [artigo da Constituição] 155” para suspender o Estatuto de Autonomia da Catalunha.

A edição em papel do também catalão próximo das teses separatistas “ara.cat” afirma em grandes letras que há uma “Pausa para o diálogo” e o “Governo de Puigdemont deixa em suspenso a declaração de independência”.

O jornal também adianta que a vice-presidente do Governo espanhol, Soraya Sáenz de Santamaría, “nega legitimidade a possível mediação” e a “UE [União Europeia] agradece a travagem da Catalunha e vê margem para a negociação”.

Presidente regional evita declaração de independência explícita mas suspende efeitos

O discurso do presidente do governo catalão, no parlamento regional, na terça-feira, provocou leituras contraditórias e abriu brechas com os seus aliados.

Milhões de catalães -- incluindo os seus mais próximos aliados políticos - esperavam que Carles Puigdemont declarasse hoje unilateralmente a independência da região, com efeitos imediatos e práticos, dando seguimento à vitória do “sim” no referendo de 01 de Outubro, considerado ilegal pela justiça espanhola.

Por outro lado, milhões de outros catalães e demais espanhóis esperavam que Puigdemont renunciasse à independência -- uma exigência do governo de Madrid - e convocasse eleições regionais antecipadas -- uma sugestão do principal partido da oposição, o PSOE.

Numa declaração que era esperada com grande expectativa, Puigdemont não fez nem uma coisa nem outra.

O presidente da Generalitat afirmou na terça-feira que assume o “mandato do povo” para que “a Catalunha se torne um estado independente na forma de uma república”, mas propôs suspender os efeitos da declaração de independência para abrir a porta ao diálogo nas próximas semanas.