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Há dias para todos os gostos e causas

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Portugal tem dias para todos os gostos e entre os dedicados a pessoas ou animais, doenças ou profissões, a favor ou contra alguma coisa, contam-se mais de 700, como o de hoje, dia de um creme para barrar.

No calendário português, cruzando dados de páginas específicas como Calendarr Portugal, Eurocid (portal de informação europeia), da Liturgia Católica ou da ONU, em quase todo os dias se assinala uma efeméride mas há dias em que chegam a seis e sete, entre dias nacionais, internacionais, mundiais, dedicados a santos, à família, dedicados a causas sociais, a produtos ou conceitos.

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teve como primeiro ato oficial criar o Dia Nacional do Patriotismo, mas outras datas também são objeto de proclamações solenes, como algumas com origem em organismos internacionais ou por governos.

No sábado, por exemplo, assinalou-se em todo o mundo o Dia Mundial contra o Cancro, uma criação das Nações Unidas, que na segunda-feira comemora o Dia Internacional de Tolerância Zero contra a Mutilação Genital Feminina. Duas entre quase centena e meia de efemérides mundiais ao longo do ano.

Outras datas, no entanto, sem “padrinhos” de peso, começam só porque alguém acha que sim. E graças à internet, e por vezes a aproveitamentos comerciais (como o Dia dos Namorados, na terça-feira, ou o “Halloween”), ganham vida e começam a ser faladas.

Em 2007, uma “bloguer” norte-americana chamada Sara Rosso decidiu associar o dia 05 de fevereiro ao Dia da Nutella, um creme de barrar no pão criado em 1963 e que hoje até tem direito a uma página na internet (’world nutella day’) cheia de manifestações de apreço, depoimentos e sugestões.

Dentro de pouco mais de uma semana, no dia 13, assinala-se outra data “estranha”, o Dia de Limpar os Computadores, não criado por um apreciador de computadores mas por um instituto norte-americano, o Institute for Business Technology, há 17 anos.

Se a todos estes dias se juntar o calendário dos santos católicos (hoje é dia de Santa Águeda, virgem e mártir) são tantas as comemorações, dias de apoio e de luta, dias pelo, para ou contra, de lembranças e de memórias, que nem se estranha o próximo dia 25, Dia Mundial dos Engolidores de Espadas, criado pela associação do setor, Sword Swallowers Association International.

Chama a atenção para uma profissão em extinção. E também com a mesma preocupação, a extinção, assinala-se, dois dias, depois 24 horas inteirinhas dedicadas ao urso polar.

Os animais estão de resto bem representados nos Dias, dos tigres, leões e elefantes aos cães e gatos (os pretos têm direito a um só para eles), dos pinguins (a 25 de abril) às girafas, até aos castores, às cobras, às ostras, polvos, abutres e mosquitos (estes a 20 de agosto, para recordar as doenças que provocam). E estarão todos juntos de novo a 04 de outubro, Dia Mundial do Animal. Todos juntos com o Dia do Veterinário.

As profissões estão também elas bem representadas, com a parteira a comemorar o seu dia já no início de maio (05), instituído pela Organização Mundial de Saúde. Junho terá o dia da prostituta e a 17 de dezembro, celebra-se o Dia Internacional contra a Violência contra Prostitutas.

Abrangente e diversificado, o calendário português também assinala doentes e doenças, o Trabalho, a Preguiça (07 de novembro), o Dia Internacional da Diversão no Trabalho (abril), o dia sem dietas, o dia sem compras ou o dia das vendas por internet.

E junta-lhe ainda alguns outros dias estranhos, como o Dia da Dança do Ventre, o Dia do Fascínio pelas Plantas, o Dia do Biquíni, o Dia do Pi, o Dia do Vento ou o Dia da Lama, o Dia do Filho do Meio ou o Dia das Casas de Banho, também chamado das Sanitas ou das Retretes.

Ainda assim, todos com um motivo ou um bom motivo. O Dia Mundial da Sanita, por exemplo, foi criado pela ONU e comemora-se a 19 de novembro, para chamar a atenção do mundo para os milhões de pessoas, especialmente crianças, que morrem anualmente por doenças ligadas à falta de saneamento básico, de condições higiénicas e água potável.

São, segundo a UNICEF, 800 crianças com menos de cinco anos que morrem em cada 24 horas, por doenças relacionadas com a diarreia. Uma sanita, enfim, a mostrar que na espuma dos dias há dias e dias.