Fundador de esquema em pirâmide gigante condenado a prisão perpétua na China

Desde Julho passado, os esquemas em pirâmide na China resultaram na morte de quatro pessoas

China /
13 Set 2017 / 10:44 H.

Um tribunal da China condenou à prisão perpétua o fundador de um esquema em pirâmide que ludibriou cerca de 900.000 pessoas em 6,3 mil milhões de euros, expondo a dimensão dos mecanismos de investimento informais no país.

O Ezubo apresentava-se como uma plataforma de empréstimo de pessoa para pessoa (’peer to peer’), uma indústria que floresceu nos últimos anos na China, face à dificuldade em obter crédito no sector bancário, controlado pelo Estado.

Ding Ning, fundador do Ezubo, e o seu irmão mais novo, Ding Dian, foram condenados à prisão perpétua por um tribunal de Pequim, por “angariação fraudulenta de fundos”, segundo a agência noticiosa oficial Xinhua.

Outros 24 executivos foram condenados a penas de prisão entre três e 15 anos.

Duas empresas filiadas à Ezubo foram multadas num total de 1,9 mil milhões de yuan (242 milhões de euros), segundo a Xinhua.

Alguns dos arguidos foram ainda condenados por contrabando de metais preciosos e posse ilegal de armas.

As autoridades detiveram os executivos da Ezubo em dezembro de 2015, por aceitarem depósitos sem terem licença. A Xinhua disse que as autoridades confiscaram os activos da empresa, para reembolsarem os depositantes, mas não detalhou quanto do dinheiro foi recuperado.

Os reguladores chineses permitiram o ‘boom’ nos serviços privados de crédito, para apoiar os empresários que nos últimos anos geraram emprego e riqueza, mas que têm acesso escasso ao sector bancário dominado pelo Estado.

Em 2015, os sistemas de financiamento informais ascendiam a 1,5 biliões de dólares (1,2 biliões de euros), segundo dados oficiais.

Ding, 34 anos, que abandonou os estudos antes de completar o ensino secundário, trabalhou para a fábrica de hardware da mãe, onde acumulou experiência com vendas pela Internet.

Sem qualquer educação formal em finanças, Ding lançou a plataforma Ezubo em Julho de 2014 e abriu escritórios em várias cidades chinesas.

A decisão das autoridades em desmontar a plataforma levou a protestos dos depositantes, que acusaram o Governo de não proteger os seus depósitos.

Vários depositantes viajaram até Pequim para protestar junto de gabinetes governamentais e da sede da televisão estatal CCTV, que transmitiu publicidade do Ezubo.

Segundo as autoridades, a plataforma oferecia taxas de juro entre 9% e 14,6%.

Desde Julho passado, os esquemas em pirâmide na China resultaram na morte de quatro pessoas, vítimas de grupos criminosos.

Segundo o jornal oficial China Daily, as vítimas entram no esquema atraídas por falsas ofertas de trabalho, sendo mantidas em dormitórios e forçadas a recrutar amigos e familiares.

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