Estudo nega ideia de “gordo saudável” e diz que excesso de peso é sempre fator de risco

15 Ago 2017 / 00:30 H.

O peso em excesso aumenta o risco de ataque cardíaco em mais de um quarto, mesmo que as pessoas sejam consideradas saudáveis, indica um estudo liderado por duas universidades britânicas.

Os investigadores consideraram que o excesso de peso ou a obesidade aumentam o risco de doenças coronárias em 28%, em comparação com as pessoas que têm um peso saudável, mesmo com níveis normais de pressão arterial, açúcar no sangue ou colesterol.

O estudo deita por terra o mito do “gordo saudável” e alerta para a necessidade de as pessoas manterem um peso dentro de parâmetros normais.

Os investigadores, do Imperial College de Londres e da Universidade de Cambridge, lembram que o armazenamento de gordura no organismo está associado a alterações metabólicas (aumentos da pressão arterial, açúcar no sangue e colesterol) mas que estudos mostraram que algumas pessoas obesas eram consideradas “metabolicamente saudáveis”.

Mas acrescentaram que não é a aparente saúde que diminui os riscos de quem tem excesso de peso, comparando com aqueles que têm um peso considerado normal.

O estudo, o maior do género feito até agora, usou dados de mais de meio milhão de pessoas em 10 países europeus (do European Prospective Investigation into Cancer and Nutricion) para mostrar que o excesso de peso está associado a um risco aumentado de doenças cardíaca, mesmo em casos de perfil metabolicamente saudável.

“Os nossos estudos indicam que se uma pessoa está com excesso de peso ou obesidade todos os esforços devem ser no sentido de a ajudar a voltar a um peso saudável, independentemente de outros fatores. Mesmo que a sua pressão arterial, açúcar no sangue e colesterol estejam dentro dos valores normais o excesso de peso é um fator de risco”, alertou a principal autora do estudo, Camille Lassale, do Imperial College.

Para o estudo, publicado na revista European Heart, os investigadores analisaram a ligação entre o excesso de peso e o risco de doenças coronárias (insuficiência dos vasos sanguíneos que irrigam o coração), que levam a ataques cardíacos.

“Penso que já não há mais esse conceito de gordura saudável”, disse Ioanna Tzoulaki, do Imperial College.

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