Bancos venezuelanos restringem entregas em dinheiro por falta de notas

12 Out 2017 / 08:13 H.

A banca venezuelana voltaram hoje a restringir a entrega de dinheiro em efectivo aos clientes por falta de notas para responder à procura da população, uma situação que provocou congestionamentos em várias sucursais bancárias na capital.

“Estive em Banesco e o dinheiro não chegou para toda a gente. Primeiro estavam a dar 30 mil bolívares semanais (Bs - 2,65 euros à taxa oficial mais alta) e passaram para 10 mil Bs (0,88 euros) e hoje acabaram”, disse uma cliente à agência Lusa.

Auristela Monzalvez explicou que esteve duas horas a fazer fila no banco para conseguir “algum dinheiro” porque quinta-feira (já hoje em Portugal) é feriado na Venezuela e pensa “sair, dar uma volta” e “os autocarros pagam-se com notas e o camião que traz fruta e vegetais também”.

“Parece que o país está a cair aos pedaços, há dificuldades para tudo. Pouco a pouco, estão-nos a obrigar a habituar-nos a viver em condições degradantes. Isto, de fazer fila nos bancos para ‘pedir’ um pouco do dinheiro que temos na conta é humilhante, assim como é ter que andar de local em local fazer filas para conseguir alguns produtos e medicamentos”, disse.

Doméstica e com “dois filhos já crescidos, a trabalhar, Auristela disse que “a crise e a política” a confundem, já que “o passado, que era mau, foi muito melhor do que o presente, e o futuro ninguém sabe como será, mas não inspira optimismo”.

A agência Lusa constatou que em várias urbanizações do município Libertador (o maior de Caracas) havia um inusitado movimento de clientes e longas filas nas caixas automáticas (ATM), apesar de as pessoas se queixarem de não haver dinheiro.

Fonte do Banco Plaza, propriedade de portugueses, explicou à Lusa que aquela instituição bancária foi forçada a reduzir de 150 mil para 100 mil Bs (de 13,26 para 8,84 euros) a quantia que os clientes podiam levantar ao balcão, ao longo da semana.

As “remessas” (envio de dinheiro) que envia o Banco Central estão atrasadas e estamos a ficar sem dinheiro. O ideal é que as pessoas tentem usar ao máximo os cartões de pagamento electrónicos”, disse.

Na sucursal do Banco Plaza em Sabana Grande, pouco antes do encerramento (pelas 15h30 horas locais) haviam cerca de 80 pessoas à espera para levantar dinheiro no balcão, divididas em três grupos: idosos, clientes do banco e trabalhadores de empresas de construção civil que receberiam o ordenado.