Lina Pereira acusa o PSD de "governar para as elites" e esquecer o povo
"Em nenhum momento deste debate o Governo Regional foi capaz de descer à terra e falar sobre as reais dificuldades pelas quais passam os madeirenses e os porto-santenses. Em nenhum momento o PSD falou no impacto brutal do custo de vida", afirmou Lina Pereira no discurso de encerramento do debate do Estado da Região.
Em nenhum momento, protesta, o PSD falou no real estado da Saúde ou da habitação.
"Não falou que temos o maior pico das listas de espera desde 2015: são mais de 146 mil pessoas em espera para um ato clínico na Madeia…Não falou na violação continuada do direito dos utentes a receberem cuidados de saúde dentro dos tempos máximos de resposta garantidos por lei. A situação torna-se ainda mais grave quando é o próprio SESARAM que admite, nos seus documentos oficiais, que não consegue responder em tempo adequado a cerca de 70% dos utentes que aguardam por uma consulta de especialidade".
Não se ouviu, também, uma palavra, lembra Lina Pereira, sobre "os atrasos crónicos nos pagamentos aos profissionais de saúde que continuam por regularizar. Profissionais que participaram no Programa Extraordinário de Recuperação de Listas de Espera Cirúrgicas em 2023 e aos quais o Governo Regional continua a dever milhares de euros".
Durante décadas, este Governo, dis, "escolheu investir milhões e milhões de euros em obras que hoje representam autênticos elefantes brancos. Milhões de euros que todos os madeirenses e porto-santenses continuam a pagar e que são já dívida dos nossos filhos e dos nossos netos".
Essa é a diferença, afrima, entre "governar para as elites e governar para o Povo".
A verdade é, protesta, "as elites têm oportunidades; os nossos idosos continuam sem respostas. Continuam sem um espaço confortável e adequado à sua situação. Continuam sem acesso à Saúde em tempo adequado. Continuam sem companhia. Continuam sem um envelhecimento verdadeiramente digno".
Mas alguém "ganhou, e ganhou muito, com algumas das grandes opções de investimento dos últimos anos".
Nada se ouviu, igualmente, sobre a "profunda crise da habitação. Aquela crise que impede jovens casais de construir um projeto de vida. Que adia sonhos. Que obriga filhos a permanecerem em casa dos pais. Que empurra famílias para fora da sua terra".
"A situação é de tal forma grave que temos metade da população madeirense a receber cerca de 1.176 euros, ou menos, de ordenado, e a pagar rendas das habitações que rondam, em média, os 1.077 euros para um apartamento de 90 metros quadrados! Nem fica 100 euros para passar o mês".
A deputado referiu vários programas dos quais não há dados disponíveis e sobre os quais "o Governo não fala" .
"A prioridade não são os madeirenses e os porto-santenses. A prioridade continua a ser uma governação para as elites. Para quem chega à Madeira com grande capacidade financeira. Para quem tudo se facilita. Mesmo que isso signifique dificultar a vida daqueles que sempre viveram aqui. Daqueles que sempre trabalharam aqui. Daqueles que escolheram ficar".
E perante esta outra Madeira, "a verdadeira Madeira, aquela onde vivem os madeirenses e os porto-santenses comuns, como justifica este Governo a prioridade dada a investimentos públicos na ordem dos 100 milhões de euros para campos de golfe", pergunta,
O JPP reconhece a importância do turismo para a economia regional. "O que o JPP rejeita é um crescimento sem capacidade de carga. Sem planeamento. Sem equilíbrio. Sem proteção da qualidade de vida dos residentes. É por isso que defendemos, há muito, a revisão do Plano de Ordenamento Turístico".
A mobilidade ocupou outra parte importante dio discurso de Lina Pereira.
"Onde está o estudo económico-financeiro sobre a ligação marítima entre a Madeira e o Continente? Porque continua escondido? O que tem o PSD a esconder aos madeirenses e porto-santenses", pergunta.
Será que confirma aquilo que "existe viabilidade económica para um ferry regular, capaz de aumentar a concorrência, reduzir custos para as famílias e empresas e oferecer uma verdadeira alternativa às ligações aéreas?"
"O JPP continuará ao lado dos madeirenses e dos porto-santenses comuns2, garante.