JPP acusa PSD de "branqueamento político" das altas problemáticas no SESARAM
O Juntos Pelo Povo (JPP) acusou hoje o PSD de tentar "branquear" a crise das altas clínicas no Serviço Regional de Saúde, ao alterar o requerimento apresentado pelo partido para uma audição parlamentar sobre o tema e ao impedir a presença dos secretários regionais responsáveis pela Saúde e pela Inclusão na comissão especializada da Assembleia Legislativa.
Em comunicado, o grupo parlamentar do JPP refere que, na 5.ª Comissão Especializada Permanente de Saúde e Proteção Civil, a maioria social-democrata aprovou a substituição da expressão "problemática das altas clínicas" por "situação das altas clínicas", considerando que a alteração procura "eliminar do debate parlamentar qualquer referência explícita ao problema" que afecta os hospitais da Região.
A deputada Patrícia Spínola considera que esta decisão demonstra "preocupação com a forma e nenhuma preocupação com o conteúdo". "O PSD acredita que mudando as palavras muda a realidade. Mas os cerca de 500 madeirenses que permanecem internados apesar de terem alta clínica não deixam de existir porque o PSD decidiu retirar a palavra 'problemática' de um requerimento parlamentar. A crise continua lá, bem visível para os doentes, para as famílias e para os profissionais de saúde", afirma.
O partido critica igualmente a decisão da maioria de substituir a audição da secretária regional de Saúde e Proteção Civil e da secretária regional de Inclusão, Trabalho e Juventude pela dos dirigentes dos respetivos organismos públicos. Para Patrícia Spínola, trata-se de "uma clara fuga ao escrutínio democrático".
"O papel dos deputados é fiscalizar a actuação dos responsáveis políticos. Não se compreende que o PSD impeça a audição dos secretários regionais precisamente numa matéria onde estão em causa decisões políticas e responsabilidades governativas. Quem governa deve responder perante o Parlamento e perante os madeirenses", defende.
O JPP sustenta que a questão das altas clínicas continua a ser um dos principais constrangimentos ao funcionamento do Hospital Dr. Nélio Mendonça e de outras unidades de saúde da Região, apontando para a ocupação prolongada de camas hospitalares, a pressão sobre os serviços de urgência e o agravamento das dificuldades sentidas pelos profissionais de saúde.
No comunicado, o partido considera ainda insuficientes as medidas anunciadas pelo Governo Regional, defendendo o reforço da rede de cuidados continuados, o aumento das respostas sociais e do apoio domiciliário. O JPP garante que continuará a exigir esclarecimentos sobre esta matéria e a denunciar o que considera serem tentativas de "branqueamento político" de um problema que afecta centenas de madeirenses.