“Infeção” com vírus é maior medo dos portugueses

Lisboa /
06 Jan 2020 / 17:37 H.

O relatório anual de 2019 do Observatório de Cibersegurança, hoje divulgado, concluiu que o maior medo dos inquiridos (75%) é a “infeção” com ‘software’ malicioso ou vírus dos seus dispositivos eletrónicos.

O relatório do observatório, criado pelo Centro Nacional de Cibersegurança (CNCS), tem por base dados do Eurobarómetro, Eurostat, Instituto Nacional de Estatística (INE) e Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência, compara números de 2017 e 2018 e, sempre que possível, com as médias da União Europeia (UE).

Na lista de medos e receios, 49% dos inquiridos estão preocupados com a segurança dos seus dados pessoais e 73% evitam relevar informação pessoal ‘online’.

O número de pessoas preocupadas com a infeção de dispositivos (computadores, tablets, telemóveis) com ‘software’ malicioso, como vírus, aumentou quatro pontos percentuais entre 2017 e 2018.

Apesar da desconfiança quanto a partilhar dados pessoais na Internet, desceu a preocupação dos inquiridos com os pagamentos ‘online’, que baixou de 47% em 2017 para 38% em 2018.

De acordo com o estudo, uma grande percentagem dos portugueses inquiridos considera a pornografia infantil o crime do ciberespaço mais grave (85%), mais do que a fraude bancária (78%) e o roubo da identidade (75%).

Independentemente de um número elevado dos portugueses ouvidos se considerarem razoavelmente bem informados (43%) e muito bem informados (3%), mais de metade (52%) não se sentem bem informados quanto ao risco de cibercrime.

E são também muitos (84%) os que não sabem que existem um website e e-mail oficiais através dos quais podem comunicar cibercrimes, mais do que a tendência na UE (77%).

Essas denúncias podem ser feitas através de uma página na Internet do Ministério Público (http://cibercrime.ministeriopublico.pt/pagina/denuncia) e através de um email (([email protected]).

Quando o fazem, são em maior número os que optam por contactar as polícias -- a Polícia Judiciária tem uma Unidade Nacional de Combate ao Crime.

Comparativamente com a Europa, menos de metade dos inquiridos em Portugal (46%) consideram o discurso de ódio racial um fenómeno muito sério, quando na UE essa percentagem é de 61%.

O Observatório de Cibersegurança foi criado em 2019 pelo CNCS com o objetivo de promover a “partilha de conhecimento multidisciplinar sobre cibersegurança em Portugal”, segundo um comunicado do Centro Nacional de Cibersegurança.

Este foi o primeiro relatório deste observatório, que pretende continuar a divulgar documentos idênticos, além da sociedade, centrados noutras quatro áreas - riscos e conflitos, economia, ética e direito, politicas públicas, inovação e tecnologias futuras.