Campanha às directas do PSD arrancou mais virada para dentro do partido

Lisboa /
10 Dez 2019 / 09:54 H.

A um mês das eleições directas, os três candidatos à liderança do PSD deverão intensificar a campanha, depois de uma primeira fase quase sempre em circuito fechado, e em que o debate televisivo entre os três foi a excepção.

Desde que se assumiram como candidatos às directas de 11 de janeiro, o actual presidente, Rui Rio, o antigo líder parlamentar Luís Montenegro e o vice-presidente da Câmara de Cascais, Miguel Pinto Luz, apenas estiveram juntos no debate da RTP, na semana passada, e cruzaram-se numa iniciativa da JSD, no Fundão, no final de novembro.

No debate televisivo, foi visível que as divergências internas que marcaram os dois anos do mandato de Rui Rio continuam bem vivas, mas com os candidatos genericamente de acordo nas críticas à governação socialista e quanto ao modelo económico que defendem para a sociedade.

Nas suas iniciativas públicas, Montenegro e Pinto Luz têm criticado a estratégia de Rio que levou a derrotas eleitorais nas europeias e legislativas e acusado o actual líder de ‘colar’ o partido aos socialistas, dizendo que “subalternizou” o partido com os acordos que firmou com o Governo ou até que quer transformar o PSD numa “espécie de PS2.

Já Rui Rio tem-se mantido firme na defesa do posicionamento ideológico que pretende para o partido - “Portugal ao centro” é o seu slogan de candidatura -, e reiterado que não pode rejeitar futuros acordos de regime com os socialistas, desde que sejam bons para o país.

A posição quanto ao próximo Orçamento do Estado - que só será conhecido na próxima segunda-feira - separa Montenegro dos outros candidatos, já tendo defendido que o PSD deve votar contra, ao contrário de Rio e Pinto Luz, que preferem esperar pelo documento, apesar de entenderem que será muito difícil viabilizá-lo.

As autárquicas são a principal meta fixada pelos três, embora com diferentes graus de optimismo quanto ao resultado: Rio quer ganhar “muito mais câmaras” do que o PSD tem actualmente, enquanto Pinto Luz e Montenegro sobem a fasquia para a vitória ao PS, com este último a considerar também possível voltar a ganhar a Câmara da capital, que foge ao PSD desde 2007.

Nas legislativas, ambos os desafiadores de Rio dizem querer ganhar em 2023, com Montenegro a falar até em “maioria absoluta” e vitória para duas legislaturas.

Até ao debate, a campanha interna decorreu praticamente em circuito fechado, com Luís Montenegro e Miguel Pinto Luz a multiplicarem-se em sessões de esclarecimento com militantes, à porta fechada, e Rio a deixar esse tipo de iniciativas quase sempre para o fim de semana.

Durante a semana, o atual presidente e líder parlamentar concentra-se nas suas funções institucionais, e até partilha nas redes sociais como candidato as principais intervenções na Assembleia da República nos debates quinzenais como primeiro-ministro, António Costa.

Nesta primeira fase da campanha, as redes sociais têm sido um veículo privilegiado para os candidatos divulgarem os vários apoios recebidos e até mensagens políticas.

A candidatura de Rio reclama o apoio de 11 presidentes de distritais do PSD - embora sejam raras as estruturas que formalmente deram apoio a qualquer candidato -, entre os quais Alberto Machado, do Porto, José Manuel Fernandes, de Braga, ou Salvador Malheiro, de Aveiro, e também ‘vice’ do partido.

Entre os ‘notáveis’ que apoiam Rio contam-se, além dos membros da actual direcção, o militante número um do PSD, Francisco Pinto Balsemão, a ex-líder Manuela Ferreira Leite, o ex-líder parlamentar Fernando Negrão, o antigo presidente do Governo Regional da Madeira Alberto João Jardim e terá como mandatária para a Juventude a secretária-geral da JSD, Sofia Matos.

A líder da Juventude Social-Democrata, Margarida Balseiro Lopes, apoia Luís Montenegro - e é uma das suas mandatárias nacionais, a par do médico e gestor Luís Reis -, com o antigo presidente da bancada parlamentar do PSD a ter ao seu lado muitos dos deputados e ex-governantes do ex-líder Pedro Passos Coelho, como Hugo Soares, José Matos Correia, Pedro Pinto, Maria Luís Albuquerque, Aguiar-Branco, Rui Machete ou Paula Teixeira da Cruz, bem como da histórica militante Conceição Monteiro.

O antigo líder da JSD Pedro Duarte, que chegou a ponderar uma candidatura à liderança do PSD, também está com Montenegro. Miguel Morgado, que desistiu de se candidatar por não reunido apoios suficientes, anunciou igualmente que votará no antigo líder parlamentar.

Montenegro recolhe ainda apoio de alguns nomes que estiveram com Rio há dois anos, casos de António Leitão Amaro ou dos presidentes das distritais de Viseu, Pedro Alves (que é seu director de campanha), ou de Leiria, Rui Rocha, bem como do actual vice-presidente da distrital de Lisboa, Rodrigo Gonçalves, que foi um dos principais operacionais da campanha na capital do actual presidente.

Já o líder da distrital de Lisboa, Ângelo Pereira, está com Miguel Pinto Luz, que reclama o apoio de nove das dez concelhias do distrito (todas exceto Sintra), contando igualmente com Carlos Carreiras, presidente da Câmara de Cascais, de quem é ‘vice’, e, no Porto, com o presidente da concelhia Hugo Neto e do antigo líder da distrital Virgílio Macedo, bem como com o líder da distrital de Setúbal, Bruno Vitorino.

Os ex-governantes Miguel Relvas, Marco António Costa, José Eduardo Martins ou Mira Amaral estão nesta disputa ao lado de Pinto Luz, tal como o ex-secretário geral Matos Rosa, o antigo director da campanha presidencial de Cavaco Silva, Alexandre Relvas, o vice-presidente da JSD Alexandre Poço ou a deputada Ana Miguel Santos, que foi escolhida pela actual direcção como cabeça de lista por Aveiro nas últimas legislativas.