Pilotos da Ryanair no Reino Unido em greve hoje e sexta

22 Ago 2019 / 12:50 H.

Os voos da Ryanair no Reino Unido podem sofrer perturbações hoje e sexta-feira devido a uma greve dos pilotos, apesar de a companhia ter anunciado que não vai alterar o plano de voos previsto e não espera problemas.

Os pilotos do sindicato britânico Balpa (British Airline Pilots Association) aprovaram uma greve para estes dois dias e para 02 a 04 de setembro e, apesar de a companhia aérea de baixo custo ter tentado bloqueá-la nos tribunais de Londres, a justiça decidiu na quarta-feira a favor dos pilotos.

“Os pilotos da Ryanair pedem o mesmo tipo de políticas e acordos que existem nas outras companhias aéreas”, argumentou o secretário-geral do sindicato, Brian Sutton, perante o tribunal britânico.

Na audiência, a Ryanair argumentou que a greve pode ser “enormemente disruptiva” e provocar “danos significativos” à reputação da companhia, mas hoje, autorizada a greve, disse não esperar problemas, “graças ao trabalho e boa-vontade da maioria” dos seus pilotos no Reino Unido.

Já na Irlanda ocorreu o oposto: o Tribunal Superior de Dublin decidiu, no mesmo dia, atender aos argumentos da companhia ‘low cost’ e bloquear a greve, marcada igualmente para hoje e sexta-feira e para entre 02 e 04 de setembro.

Os advogados da companhia, que tem sede na Irlanda, argumentaram que o sindicato de pilotos não permitiu que as negociações chegassem a uma conclusão antes de anunciar a greve.

O sindicato irlandês Forsa, que representa 180 pilotos irlandeses que trabalham para a Ryanair, alegou que a empresa simplesmente ignorou a proposta apresentada pelos pilotos com as reivindicações salariais e laborais.

As greves são um protesto contra as condições laborais e salariais praticadas pela Ryanair.

Além do Reino Unido e da Irlanda, a Ryanair enfrenta movimentos de contestação em Portugal, onde o pessoal de cabine (assistentes de bordo) iniciou na quarta-feira uma greve de cinco dias, e em Espanha, onde uma greve também do pessoal de cabine, convocada por dois sindicatos, está marcada para 10 dias de setembro (1, 2, 6, 8, 13, 15, 20, 22, 27 e 29).

Em Portugal e Espanha, os sindicatos exigem que a Ryanair cumpra a legislação laboral nacional.

Ainda em Espanha, o Sepla (Sindicato Espanhol de Pilotos de Minhas Aéreas), fez uma consulta aos associados e 90% deles apoiaram a adoção de medidas legais, entre as quais uma greve, a lançar nas próximas semanas se a companhia não recuar na decisão de encerrar três bases no país.

O Sepla representa cerca de 500 dos 800 pilotos da Ryanair em Espanha.

Em mais um sinal da contestação laboral na companhia, a confederação sindical belga CNE/ACV Puls pediu na terça-feira aos tripulantes da companhia irlandesa na Bélgica que mostrem “solidariedade” e não trabalhem durante a greve em Portugal, acusando a companhia de usar o aeroporto de Charleroi para “furar” a paralisação.

A Ryanair anunciou em julho a intenção de eliminar 900 postos de trabalho, num universo de 13.000 trabalhadores, e encerrar uma série de bases, incluindo a de Faro, no sul de Portugal.

Segundo um dos sindicatos espanhóis que convocaram a greve, a Ryanair fechou o último ano fiscal com 1.047 milhões de euros de lucro e o trimestre passado com 250 milhões de euros de lucro, resultados que considera não justificar financeiramente os cortes anunciados.

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