Navio de ONG alemã com migrantes é apreendido em Itália

02 Set 2019 / 15:34 H.

O navio Eleonore, da organização não-governamental (ONG) alemã Lifeline, com cem migrantes a bordo, foi arrestado hoje pelas autoridades italianas após violar a proibição de entrar em águas territoriais para atracar no sul da Sicília, segundo os media.

“O Eleonore chegará em breve a Pozzallo. Seria bom que algumas pessoas e advogados estivessem lá para encontrar-se com a tripulação”, divulgou no Twitter a organização, cujo navio foi colocado sob arresto ao abrigo de legislação que entrou recentemente em vigor na Itália.

O navio estava no mar há oito dias, à espera de um porto seguro para atracar depois de resgatar cem pessoas.

Este foi o primeiro de três navios humanitários actualmente no Mediterrâneo a receber nos últimos dias a proibição para atracar das autoridades italianas.

O capitão do navio explicou numa mensagem publicada no Twitter que foi forçado a ir para a costa italiana porque a “situação a bordo representava um perigo de morte” devido ao mau tempo e mar agitado durante a noite.

Outra embarcação, o Mare Ionio, com 31 migrantes a bordo, estava hoje pela manhã a 13 milhas marítimas (24 quilómetros) da ilha siciliana de Lampedusa, em águas internacionais `a espera de poder atracar, disse à agência de notícias AFP um porta-voz.

O navio resgatou na quarta-feira pessoas ao largo da costa da Líbia, mas 67 foram gradualmente desembarcadas na Itália: mulheres, crianças e pessoas que precisavam de cuidados médicos, disse o porta-voz.

Um terceiro navio, Alan Kurdi, da ONG alemã Sea Eye, está a viajar para Malta depois de ser notificado também da proibição de atracar em Itália, devido a um decreto do ministro do Interior italiano, Matteo Salvini.

O ministro do Interior emitiu um decreto no mês passado, reforçando as medidas repressivas contra os navios que prestam assistência aos migrantes.

O texto estabelece uma multa máxima de um milhão de euros aos comandantes de navios não autorizados a entrar nas águas italianas e prevê a prisão imediata dos capitães.

Matteo Salvini deixará o cargo nos próximos dias, após a crise no Governo que provocou, no início de Agosto, a explosão da coligação que o seu partido (Liga) formou desde Junho de 2018 com o Movimento 5 Estrelas (antissistema).