Miguel Albuquerque diz que coligação PSD/CDS era “expectável” na Madeira

19 Jan 2020 / 10:37 H.

O presidente do primeiro Governo da Madeira de coligação PSD/CDS, Miguel Albuquerque, admite que esta solução já era “expectável” antes das eleições regionais e afirmou que a convivência tem sido positiva.

“Era expectável [a necessidade de uma coligação governativa], visto que nós tivemos o mesmo número de votos do que em 2015”, afirmou o também líder social-democrata madeirense, numa entrevista à agência Lusa nas vésperas de o XIII Governo Regional totalizar 100 dias em funções (22 de janeiro).

“Tendo em vista a bipolarização que era constatável na própria campanha eleitoral, nós sabíamos que com o mesmo número de votos e com o desaparecimento do BE no parlamento, a perda do deputado do PCP e ainda a diminuição para menos de metade do número de deputados do partido de Santa Cruz [JPP], íamos ter de fazer uma coligação de governo”, mencionou.

Nas regionais de 22 de setembro de 2019, o PSD/Madeira perdeu pela primeira vez a maioria absoluta que detinha há 40 anos no arquipélago, assegurando 21 dos 47 deputados, e coligou-se com o CDS, com três eleitos. O PS reuniu um grupo parlamentar com 19 representantes, o JPP ficou com três e o PCP com um.

Miguel Albuquerque sublinhou que “não houve desgaste em termos de votação”, mas “uma bipolarização” entre o partido e o PS.

“E essa bipolarização, com a menor fragmentação do parlamento pelo círculo único, fez com que o PSD/Madeira não tivesse no quadro parlamentar a maioria absoluta”, afirmou.

Face a este cenário, foi necessário pôr em prática um ‘plano B’, “uma solução que já estava prevista - um entendimento político, parlamentar e de governo com o CDS”, que já estava “mais ou menos alinhavado”.

Este tipo de acordo “só com o CDS era óbvio” e a negociação foi “relativamente fácil”. Foi feito primeiro um “acordo no domínio dos valores e princípios”, e depois outro no “quadro parlamentar e de governo”.

O governante realçou que a atribuição de pastas no governo madeirense “foi uma questão consensual”, o que é comprovado pelo facto de as eleições terem sido num domingo e “na segunda-feira o acordo já estar praticamente delineado”.

“A atribuição da presidência da Assembleia Legislativa também fez parte do acordo e não houve qualquer problema”, declarou, assegurando que não o incomoda ver pela primeira vez o parlamento regional presidido por um centrista, José Manuel Rodrigues.

“O que me incomodava era ter um governo de esquerda, antiautonomista, que ia pôr em causa o desenvolvimento da Madeira”, observou.

Os elementos do atual executivo foram as suas “primeiras escolhas”, com base em critérios políticos, tendo em conta a sua experiência e, por outro lado, “inovação, criatividade”, o que entende estar “consubstanciado neste governo”.

No seu entender, uma prova de que o atual executivo regional “começou bem” foi o facto de ter entrado logo praticamente em funções. Com a entrada de novos secretários, havia que fazer a transição das pastas e “isso foi feito de uma forma natural, o governo já está a governar de forma consistente e equilibrada”.