Listas de espera têm solução
Ordem dos Médicos diz que o caminho já foi apontado. Não são as soluções do actual Governo
António Pedro Freitas, presidente do Conselho Regional da Ordem dos Médicos, reagiu esta manhã à manchete de hoje do DIÁRIO sobre o aumento das cirurgias em lista de espera, que chegavam no final do ano passado a 21 mil. “Continuamos preocupados”, disse o médico, que já apontou ao Governo a solução. Na sua opinião, passa por criar uma lista de prioridades consoante a gravidade e a antiguidade, por um género de cheque-cirurgia, pela abertura das salas de ambulatório e contratação para o serviço de mais anestesistas. “Eu não acho que seja assim tão difícil assim encontrá-la”, disse.
O número de pedidos para realização de uma intervenção subiu em mais de 2.200 novos casos entre 2017 e 2018. A Ordem dos Médicos já apontou os caminhos numa reunião com o Governo e a direcção clínica do SESARAM e por isso o presidente deste organismo é crítico em relação ao posicionamento do Governo, nomeadamente sobre o protelar da situação. “Eu acho é que se tem de abrir, as soluções, numa fase inicial para o exterior”, disse o médico, que assume que trabalha exclusivamente no privado. “Tem que se identificar os casos mais graves ou mais antigos, uma destas duas, e ser dada prioridade”.
O presidente do Conselho Regional da Ordem dos Médicos acredita que o número 21.000 apresentado está “um bocadinho sobredimensionado” e que o trabalho deve passar também por uma verificação.
António Pedro Freitas recorda que o sistema da Madeira sempre foi convencionado, desde 1976, e que é possível procurar parte da solução aí. “Está-se a proteger o público, alguns interesses do público, para exactamente recusar ao privado, mas acaba por ser estrategicamente uma má opção. Isto é, derrama-se até mais dinheiro, já se viu as PRC [Programa de Recuperação de Cirurgias] e etc., derrama-se mais dinheiro no público sem estar a obter os resultados esperados. E isto tem de ser avaliado.”
O presidente deixa claro que não quer saber se é público ou privado, mas que o doente tem solução. A crítica passa também por comparar com há dez anos, para dizer que se calhar o serviço tinha o mesmo número de anestesistas e conseguia produzir mais. O médico alerta ainda para a perda de especialistas no serviço de saúde público, para o privado. Alerta para a necessidade de encontrar parcerias e não colocar questões políticas ou pessoais em frente ao interesse público.
“Estou preocupado, temos que encontrar soluções”, alertou. “As soluções existem e já foi visto que não são as soluções do Governo actual. Já foi visto que não é esperando por umas salas de ambulatório que são continuamente ditas que vão abrir e que estamos à espera há três anos. Esperemos que não abram em vésperas de eleições para depois fechar nas pós-eleições”, desabafou. “Continuamos à espera dos anestesistas, esperemos que estes anestesistas sejam definitivamente para o Serviço Regional de saúde e queremos, e desejamos que sejam ultrapassados determinados problemas, que não sejam postas questões pessoais à frente do interesse público, porque existe capacidade de resolução de parte destes problemas na Madeira. Nos restantes, temos que olhar. Não interessa se é privado, ou se é público, interessa é dar solução a quem está a sofrer há muito tempo”, defendeu. “Devemos ter uma ordem de gravidade e de tempo, temporal, explicita, pública. O Governo fala em transparência, mas ninguém sabe a sua posição no ranking das cirurgias”, criticou.