Londres confirma fim de acordo com França para troca de migrantes
O Reino Unido anunciou hoje o fim do acordo franco-britânico de intercâmbio de migrantes em vigor desde 2025, criticado por associações de defesa dos direitos humanos.
O Ministério do Interior britânico indicou num comunicado que "já não estavam a ser tratados novos processos" no âmbito deste acordo, que deveria expirar na quinta-feira.
Este programa "experimental" previa o repatriamento para França de migrantes que tivessem chegado irregularmente ao Reino Unido em barcos de borracha pelo Canal da Mancha, em troca do acolhimento de outros migrantes que se encontrassem em território francês.
"Continuamos a trabalhar com França para combater incansavelmente as travessias em pequenas embarcações, e fizemos progressos reais", defendeu o Ministério do Interior, na mesma nota informativa.
Londres salientou ainda que o número de chegadas desde o início de 2026, que ascende a 19.196, registou uma descida superior a 40% em relação ao mesmo período de 2025.
Desde o início do ano morreram 22 pessoas.
Horas antes da confirmação de Londres, o Ministério do Interior francês avançou que os dois países estavam a negociar o fim do acordo de devolução mútua de migrantes que cruzam clandestinamente o Canal da Mancha ("one in, one out").
Estão em curso negociações com o Reino Unido "sobre os termos de saída do acordo migratório 'one in, one out'", concluído no verão de 2025, afirmou o ministério à agência francesa de notícias AFP confirmando uma notícia do jornal Le Monde.
No total, 1.500 migrantes que entraram ilegalmente no Reino Unido foram repatriados para França no âmbito deste acordo, de acordo com os últimos dados de Londres, e cerca de 1.500 pessoas que apresentaram um pedido de asilo em França foram admitidas legalmente no Reino Unido em troca.
Este acordo "obteve alguns sucessos e o Governo teria gostado de o prosseguir, mas não atingiu o ritmo esperado", indicou hoje uma fonte governamental britânica à agência AFP.
As travessias ilegais de migrantes do Canal da Mancha assumiram um caráter de problema nacional em 2018 e tem aumentado o número de pessoas resgatadas ou a bordo de pequenos barcos de borracha.
A maior parte destes migrantes são oriundos de países marcados por conflitos armados ou regimes autoritários, como a Eritreia, o Afeganistão, o Sudão, o Irão ou a Somália.
Nos últimos anos, o Reino Unido tem sido palco de vários protestos violentos contra imigrantes, apesar de o fluxo ser muito inferior ao de países de dimensão semelhante.
Estimativas usadas pelo Governo britânico mostram que o Reino Unido registou o nono maior número (39 mil) de pedidos de asilo na Europa em 2015, muito abaixo dos 431 mil recebidos pela Alemanha, 163 mil pela Suécia ou 160 mil por França.